A exposição sobre essas realidades basta, e passa-se ao propósito de desdobrar, segundo a capacidade possível, os Nomes congêneres e comuns da distinção Divina.
Para definir tudo distintamente e em ordem, chama-se distinção Divina, como já foi dito, as belas processões da Divindade.
Ao dar-se a todas as coisas existentes e ao derramar em abundância todos os bens comunicados, a Divindade distingue-se uniformemente.
A Divindade multiplica-se de modo único e assume muitas formas a partir do Uno, permanecendo centrada em si mesma.
Como Deus Todo-Poderoso é Ser de modo superessencial, e o ser é transmitido às coisas que são e produz todas as essências, esse Ser Uno é dito assumir muitas formas pela produção dos muitos seres a partir de si mesmo.
O Ser Uno permanece sem diminuição, Uno na multiplicidade, unificado na processão e completo na distinção.
Ele está superessencialmente exaltado acima de todos os seres.
Ele produz de modo único o todo e derrama sem perda o fluxo de suas distribuições não diminuídas.
Sendo Uno, e tendo distribuído o Uno a toda parte e a todo todo, tanto ao uno quanto à multidão, ele é Uno de modo superessencial.
Ele não é parte da multidão nem todo composto de partes.
Assim, ele não é um, não participa do um e não possui o um em sentido ordinário.
Para além dessas coisas, ele é Uno acima do uno para as coisas existentes.
Ele é Uno e multidão indivisível, superplenitude não preenchida, produzindo, aperfeiçoando e sustentando cada realidade una e toda multidão.
Pela deificação procedente de si, segundo a semelhança Divina dos muitos que se tornam deuses conforme sua capacidade própria, parece haver e se diz haver distinção e multiplicação do Deus Uno.
Ele não deixa, contudo, de ser o Deus Supremo e o Super-Deus, Deus Uno de modo superessencial.
Ele permanece indiviso nas coisas divididas, unificado em si mesmo, sem mistura e sem multiplicação nos muitos.
O condutor comum de nós mesmos e de nosso guia para o dom Divino da luz, grande nos mistérios Divinos e luz do mundo, concebeu essa realidade de modo acima da capacidade natural.
Ele fala por inspiração de Deus em seus escritos sagrados: “Pois, ainda que haja os que são chamados deuses, seja no céu, seja sobre a terra, assim como há muitos deuses e muitos senhores, para nós, porém, há um só Deus, o
Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós existimos, e um só Senhor,
Jesus Cristo, por meio de quem são todas as coisas e por meio de quem nós existimos.”