São Máximo, o Confessor, foi a figura que impôs definitivamente o Corpus à tradição oriental, desenvolvendo e precisando vários pontos que estavam apenas indicados na obra de
Dionísio.
Nascido em 580, Máximo, após uma educação humanista e vida na corte, tornou-se monge e depois defensor e mártir da ortodoxia, morrendo em 662.
Embora o padre Urs von
Balthasar oponha o “criacionismo” de Máximo ao “emanatismo” de
Dionísio, o amor que faz sair o ser de si mesmo no Corpus já sugere a dualidade entre Deus e o mundo.
A leitura de
Dionísio foi fundamental para o otimismo de Máximo, que via o homem livre, capaz de construir seu próprio lugar na hierarquia com a ajuda de Deus e do próximo.
A distinção entre
Dionísio e Evagre, e a proximidade com Máximo, reside na recusa em identificar toda diversidade com o mal, na consideração do sensível como símbolo do eterno e na concepção da união como um processo que aperfeiçoa o indivíduo.
O corpo assume um lugar essencial, rejeitando a preexistência das almas e a metensomatose, com a ressurreição corporal como consequência do padecimento comum e do peregrinar fraterno.
Máximo desenvolve a noção de que a criatura trabalha positivamente para sua deificação por um despojamento voluntário, transfigurando o corpo, que é condição para o esforço e a perfeição.
Nessa perspectiva, a individualidade é reabilitada, pois Deus age como síntese e divisão, reunindo o diverso e distinguindo o definido, estabelecendo uma correspondência entre cada corpo e cada alma.
A sexualidade se integra ao sistema de Máximo, que vê na união dos sexos um caminho para a salvação, pois a carne se torna o meio positivo do perdão, permitindo a extensão do peregrinar terreno até a encarnação.