Paulo fala da sabedoria de Deus oculta em mistério — que nenhum dos príncipes deste mundo conheceu, pois se a conhecessem não teriam crucificado o Senhor da glória —, e reconhece o homem espiritual e gnóstico como discípulo do
Espírito Santo dispensado por Deus, que é a mente de Cristo.
Paulo: “Todavia, falamos sabedoria entre os que são perfeitos; mas não a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que vêm a nada. Mas falamos a sabedoria de Deus oculta em mistério; que nenhum dos príncipes deste mundo conheceu. Pois se a conhecessem, não teriam crucificado o Senhor da glória.”
Os filósofos não se esforçaram em desprezar a aparência do Senhor — portanto é a opinião dos sábios entre os judeus que o apóstolo combate.
“Pregamos o que está escrito: o que olho não viu, nem ouvido ouviu, nem penetrou no coração do homem, o que Deus preparou para os que O amam. Pois Deus no-lo revelou pelo Espírito. Porque o Espírito esquadrinha todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.”
O homem natural não recebe as coisas do Espírito, pois lhe são loucura.
O apóstolo, em contraposição à perfeição gnóstica, chama a fé comum de fundamento, e às vezes de leite: “Irmãos, não pude falar-vos como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Dei-vos leite a beber, não carne sólida; porque ainda não podíeis. Nem tampouco podeis agora; porque ainda sois carnais.”
Paulo: “Segundo a graça que me foi dada, como sábio arquiteto, lancei o fundamento. E outro sobre ele edifica ouro, prata, pedras preciosas” — tal é a superestrutura gnóstica sobre o fundamento da fé em Cristo
Jesus; mas a palha, a madeira e o feno são as adições das heresias.
“Mas o fogo provará a obra de cada um, qual seja.” E: “Desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confirmados” — e era impossível que dons dessa natureza fossem escritos sem disfarce.