Clemente adota a doutrina de Xenócrates sobre a dupla phronesis, que é tanto teórica (identificada com a sabedoria que conhece as causas primeiras) quanto prática (que dirige o comportamento na vida prática), mantendo-se fiel ao significado platônico do termo.
A função teórica da phronesis em Clemente, que leva ao conhecimento das realidades inteligíveis, corresponde à definição de Albinos, que também reproduz a doutrina platônica e xenocrática ao descrever a phronesis como a contemplação do divino.
A função prática da phronesis em Clemente, expressa pelos termos “prostatike kai apagoreutike” (prescritiva e proibitiva), é a mesma usada para descrever
o Logos divino e a lei judaica, uma fórmula de origem crisipiana que Clemente encontrou em Filon.
Clemente define andreia (coragem) e sophrosyne (temperança) usando termos estoicos que também aparecem em Filon, indicando uma dependência de fontes comuns, como o estoicismo e a tradição escolar que o transmitiu.
A definição de sophrosyne como a virtude que controla os desejos e prazeres, localizada na parte desiderativa da alma, remonta a Platão e Aristóteles, mas tornou-se parte da tradição escolar, presente em Antíoco, Ário Dídimo e no platonismo médio.
Clemente define justiça (dikaiosyne) de duas maneiras: como uma virtude distributiva que dá a cada um o que lhe é devido, de origem estoica e também encontrada em Filon, e como a harmonia entre as diferentes partes da alma, de origem platônica e presente em Filon e Albinos.
Clemente adota a partição platônica da alma em logistikon (racional), thymoeides (irascível) e epithymetikon (apetitiva), localizando cada parte em uma região do corpo (cabeça, peito e ventre/líquido), uma doutrina que também aparece em Filon, Albinos, Apuleio e nos neoplatônicos.
Clemente sustenta a doutrina estoica da implicação mútua (antakolouthia) das virtudes, segundo a qual quem tem uma virtude as tem todas, uma doutrina adotada por Antíoco, presente no platonismo médio (Albinos, Apuleio, comentador anônimo do Teeteto) e também em Filon.