As razões das coisas possuem no Intelecto divino a mesma pureza e plenitude essencial, sendo distintas de qualquer outra razão enquanto puras, mas permanecendo indistintas do viver e do inteligir de Deus enquanto plenitude do ser.
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No Livro das
Parábolas do Gênesis, exemplifica—se com o ouro, que só é puramente ouro em sua razão específica.
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No Comentário sobre a Sabedoria, esclarece—se que as razões de leão, homem e sol são distintas nas formas criadas, mas indistintas em Deus, onde não se excluem mutuamente.
Essa antinomia da distinção indistinta exprime—se na imagem da Vida ou do ebulimento formal onde todas as coisas se compenetram no Uno sem dar lugar à alteridade que só aparecerá na produção exterior.
Um momento de negatividade que torna possível a definição representa o inverso da afirmação pura de uma espécie ou de um gênero se o intelecto humano conhece as coisas nas razões eternas.
Esse momento constitui um modo reduzido da negação da negação indeterminada própria do Uno.
Uma razão ideal deve subsistir indistintamente no Uno como a negação incluída na negação da negação, assim como o mal só subsiste em uma natureza boa e a negação depende da afirmação.
O homem teria conhecido as causas essenciais como uma única Quiddidade, Razão ou Verbe no Intelecto divino se tivesse sido capaz de conhecê—las em si mesmas.
Conhecem—se as criaturas nas razões, as quais tornam as coisas conhecíveis ao iluminarem interiormente as trevas de seu ser criado que é opaco em sua particularidade.
A universalidade crescente das espécies e dos gêneros culmina na universalidade absoluta e indistinta do ser no fundo secreto de onde a Razão única esclarece o que produz.
O mestre
Eckhart utiliza a noção estoica das razões seminais herdada de Santo
Agostinho para justificar a cognoscibilidade das quididades na medida em que se distinguem, sem separar esses verbos do Logos no Intelecto paternal.
A conhecimento humana está estendida entre o incréu e o criado, devendo apreender as coisas na inteligência divina para ser verdadeira, e descobrir a luz inteligível no domínio do criado para ser um conhecimento das quididades distintas.
A região do intelecto estende—se entre a treva da indistinção da Essência divina e a treva da particularidade das substâncias criadas, sendo ali as coisas essencialmente verdadeiras em seus princípios.
O intelecto humano encontra as razões ao despir as criaturas de seu ser segundo para se elevar em direção ao ser primeiro de suas quididades eternas.
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No Livro das
Parábolas do Gênesis, explica—se que as coisas possuem verdade no primeiro modo, estando constituídas de gêneros e espécies em um ser pleno e indiviso, ao passo que fora não possuem ser pleno.
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Porphírio, na Isagoge, declara que tratará dos gêneros e das espécies como lógico, sem indagar se subsistem realmente ou se são simples concepções da mente.
Boécio traduziu essa passagem indicando os intelectos nudos e puros.
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Eckhart transforma essa reserva metodológica em posição doutrinal, afirmando que os gêneros e as espécies pertencem ao nível das inteligências nudas e puras.
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Em seguida, utiliza um trecho do tratado Da Alma de Aristóteles para identificar as espécies intencionais com as espécies lógicas, afirmando que a alma é o lugar das espécies, não toda ela, mas o intelecto.
As coisas criadas devem ser deificadas pelo intelecto humano que as reconduz ao seu ser primeiro para se tornarem conhecíveis e receberem as suas definições.
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Essa expressão encontra—se nas razões de
Eckhart citadas pelo mestre franciscano Gonzalo de Balboa em uma Questão dirigida contra as teses eckhartianas.
A distinção entre o ser de outro e a essência não de outro nas criaturas manifestar—se—á através da distensão do conhecimento entre o ser criado e o ser incréu das coisas.