Amy Hollywood

AMY M. HOLLYWOOD. THE SOUL AS VIRGIN WIFE: MEISTER ECKHART AND THE BEGUINE MYSTICS MECHTHILD OF MAGDEBURG AND MARGUERITE PORETE. CHICAGO, ILLINOIS AUGUST, 1991

CAPÍTULO III: O PROBLEMA DO TEXTO: O ESPELHO DAS ALMAS SIMPLES DE MARGUERITE PORETE

A recorrente ambiguidade da obra de Marguerite Porete já é evidente em seu longo título, pois não fica imediatamente claro se o artigo no genitivo deve ser tomado como objetivo ou possessivo, uma ambiguidade aprofundada pelo uso do próprio termo “espelho”.

Os sete estágios da alma

No capítulo 118, Marguerite oferece sua descrição mais detalhada e ordenada dos sete estágios da alma, nos quais a alma primeiro recebe a graça e se torna incapaz de pecado mortal, depois abandona todas as riquezas e honras, em seguida deseja fazer um número crescente de boas obras, então se enche de amor a ponto de ser enganada a acreditar que nenhum estágio superior é possível, posteriormente ocorre a renúncia da vontade, levando à completa transparência da alma em sua união com Deus, e finalmente o sétimo estágio aguarda a alma após sua partida do corpo.

O lugar das virtudes, dos sacramentos e de Cristo

O tema do despedir-se das Virtudes é encontrado nas primeiras partes do texto de Marguerite e é uma das fontes de sua condenação, pois uma alma que é salva pela fé sem obras mostra que deixa as Virtudes para sempre, não sendo mais escrava delas, mas sim sendo servida por elas livremente.

A natureza da união através da aniquilação da vontade

Essa identidade entre Deus e a alma é puramente espiritual, e a compreensão tradicional cristã do ser humano como formado à imagem de Deus é menos uma expressão positiva de semelhança do que uma expressão de uma dissimilaridade radical que, paradoxalmente, leva à união da alma com Deus.

O lugar do corpo

O debate alegórico de Marguerite nunca inclui o corpo, que é ocasionalmente mencionado pela alma como um estorvo debilitante, e ela parece falar na obra de três aspectos da humanidade que paralelamente às três mortes que a alma deve morrer para se tornar livre: o corpo ou natureza, o espírito e a alma.

O texto como trabalho e a necessidade de superar o trabalho

A relação entre a autora e as várias figuras alegóricas dentro do texto é problemática porque a alma muda radicalmente de posição dentro do texto, aparecendo em um momento como tendo alcançado a segurança do desembaraçado apenas para ser considerada carente de simplicidade e desapego mais tarde.