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ÁLVAREZ GÓMEZ, Jesús. Historia de la vida religiosa: desde la “Devotio moderna” hasta el Concilio Vaticano II. Madrid: Publ. claretianas, 1990.

1. As rupturas do século XIV

Ao longo do século XIV, foram se forjando os germes do que, séculos mais tarde, daria origem ao “mundo moderno”, sendo este um século de “rupturas” no qual se dissociaram os elementos de tudo o que os clássicos medievais haviam tentado construir.

2. Nome e conceito de “Devotio moderna”

“Devotio moderna” é uma expressão composta por um substantivo e um adjetivo que lograram uma conjunção perfeita, uma união já inseparável, com um significado histórico e geográfico bem determinado.

3. Origens da “Devotio moderna”

3.1. Gerardo Groot, o iniciador

“O Mestre Gerardo Magno foi o pai de nossa reformação e a fonte de toda a devoção moderna”, segundo o mestre João Busch, sendo este Gerardo Magno Gerardo Groot, que havia nascido em Deventer (Países Baixos) em 1340.

3.2. Difusão da “Devotio moderna”

Em seus escritos e em sua pregação, Gerardo Groot manifesta-se como um homem rigorista frente à decadência e corrupção imperantes na sociedade e na Igreja de seu tempo, sendo capaz de atrair em torno de si um bom número de discípulos e discípulas, demonstrando extraordinárias dotes de “condutor de almas”.

4. Características da “Devotio moderna”

A Devotio moderna é, no fundo, uma reinterpretação de toda a vida cristã em meio àquele contexto de rupturas com tudo o que havia constituído o entramado da cristandade medieval, sendo, portanto, uma cura de urgência para um tempo de emergência e de crise quase total da Igreja e da sociedade.

4.1. Interioridade

A interioridade é o traço mais característico da Devotio moderna, constituindo uma reação contra aquela situação de cansaço que os fiéis experimentavam frente a uma Igreja decadente que apelava com suma facilidade à excomunhão e ao interdito.

4.2. Afetividade

Essa nova forma de espiritualidade recebeu o qualificativo de “moderna” porque surge no contexto da “via moderna” do ockhamismo, corrente filosófica que se caracteriza pelo “voluntarismo”, e na Devotio moderna o que conta é a vontade, o coração, a devoção, a entrega generosa.

4.3. Ascética

O enfrentamento ou oposição à mística especulativa dos mestres renanos leva os “devotos” a pôr uma maior ênfase na ascética, direção na qual sopravam também os ventos de reação contra aquela situação de frivolidade e de corrupção generalizada que se estava vivendo na Igreja.

4.4. Imitação de Cristo

O cristocentrismo é algo tão evidente na Devotio moderna que a obra mais representativa de toda essa corrente espiritual é precisamente “A Imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis, embora nisso não haja uma ruptura com o passado, mas antes uma prolongação da devoção à Humanidade de Cristo iniciada na Reforma Gregoriana, incrementada e aprofundada por São Bernardo e por São Francisco de Assis.

4.5. A oração metódica

A oração metódica é, junto com a afetividade, a nota mais distintiva da Devotio moderna e a que vai ter um influxo mais duradouro sobre a espiritualidade ocidental, sobretudo depois que Santo Inácio a tornou sua nos “Exercícios espirituais”.

5. Autores mais representativos da “Devotio moderna”

Depois de Gerardo Groot, iniciador dessa corrente de espiritualidade, de quem já se disse algo, os autores “devotos” mais representativos são Florencio Radewijns, João Zerbolt de Zutphen, João Vos de Huesden e Tomás de Kempis.

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