Paixão

ANTONIO ORBECRISTOLOGIA GNÓSTICA

CAPÍTULO 25: A PAIXÃO

Os gnósticos, diferentemente dos eclesiásticos que consideravam a morte de Jesus um evento histórico irreversível ocorrido uma única vez, não tinham reparo em invocar a paixão, e alguns grupos, como os basilidianos, chegaram a calcular com escrúpulo as datas da paixão, atribuindo-a a diferentes dias dos meses egípcios.

A distinção entre o pathos real e o pathos aparente, que marcou a controvérsia entre os eclesiásticos e os gnósticos, fundamentava-se em diferentes soluções filosóficas, como a platonizante, que negava categoria de ser aos acontecimentos do mundo visível.

1. BASÍLIDES

Basílides, que figura entre os gnósticos partidários de um Jesus nascido de Maria segundo a carne, sustentou que o Salvador, embora tendo a mesma substância carnal que os demais homens e contraindo por isso uma mancha objetiva, não padeceu por nenhum pecado pessoal, mas por vontade de Deus e em virtude de sua missão salvífica.

2. VALENTINIANOS

Os valentinianos, embora tenham teorizado pouco sobre a paixão em comparação com outros temas, distinguiram entre a pessoa impassível do Salvador e o Cristo psíquico ou Messias por ele assumido, atribuindo a este último a natureza passível, sujeita a injúrias e dores.

A confrontação entre a visão eclesiástica e a gnóstica sobre a paixão revela que, para os gnósticos, a única paixão real e verdadeira não é o sofrimento corpóreo de Jesus, mas sim a ignorância da economia divina, enquanto o pathos autêntico é a vontade de Deus de se manifestar aos homens na fé e na gnose.