Cordeiro de Deus

ANTONIO ORBECRISTOLOGIA GNÓSTICA

CAPÍTULO 22: O CORDEIRO DE DEUS

O testemunho de João Batista (João 1,29) — “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” — teve escasso eco na primeira antiguidade cristã, mas os Testamentos dos doze patriarcas e os escritos gnósticos lhe atribuíram grande importância teológica.

1. “EIS O CORDEIRO DE DEUS”

Heracleão, em seu comentário a João 1,29, descobre que João Batista diz “Cordeiro de Deus” a título de profeta, enquanto “o que tira o pecado do mundo” diz em quanto superior a profeta.

2. “O QUE TIRA O PECADO DO MUNDO”

João enunciou estas palavras a impulsos de Sofia, denunciando um influxo essencialmente diverso e superior ao que lhe moveu a dizer as anteriores (“Eis o Cordeiro de Deus”), porque o objeto revelado é de natureza rigorosamente divina e não animal.

3. O CORDEIRO E A CRUZ

Os valentinianos itálicos desenvolvem o pensamento do evangelista com recurso a Zacarias 12,10 (citado por João 19,37) e a Êxodo 12,46 (“Não lhe quebrareis osso”), aplicado ao Cordeiro pascal.

4. SACRIFÍCIO E SACRAMENTO

O Evangelho segundo Tomás apresenta a parábola do samaritano que levava um cordeiro e entrava em Judeia: Jesus diz aos discípulos que, enquanto o cordeiro está vivo, não o comerá, senão quando o tenha morto e feito cadáver (ptoma), e lhes ordena: “Buscai também vós um lugar (topos) para vosso descanso (anapausis), a fim de que não vos façam cadáver (ptoma) e vos comam”.

5. A MODO DE CONCLUSÃO

Os valentinianos têm o segredo da palavra concisa, técnica, de inacabáveis ressonâncias, e a palavra inspirada do Precursor (João 1,29) à vista de Jesus abre aos discípulos de Valentim uma perspectiva de assombroso conteúdo tocante ao sacrifício e sacramento do corpo de Jesus.