Porta do Céu

ANTONIO ORBECRISTOLOGIA GNÓSTICA

CAPÍTULO 35: A PORTA DO CÉU

A propósito da “Exegese da Alma”, apresenta-se um esquema, facilmente adaptável a várias famílias gnósticas, em cujo centro se acha a porta, passo obrigatório para quantos vêm do Pleroma ao mundo e desde o mundo tornam ao reino da luz.

1. A TERCEIRA PORTA

Os naassenos conhecem várias portas no céu, mas mencionam com singular relevo “a terceira” (he trite pyle), através da qual somente entram os homens viventes (logikoi) que levam a cumprimento o mistério e são ungidos com inefável crisma.

2. AS DUAS PORTAS: DESCENDENTE E ASCENDENTE

Os valentinianos contrapunham de modo especial o Pleroma e o Hysterema (Kenoma), o reino da luz e o das trevas, enquanto os naassenos discorriam sobre um esquema triádico (Héxada = terra, Hebdómada = alma, Ogdóada = espírito feminino), situando o horos (a terceira porta) entre o mundo criado e o incriado.

3. A PORTA DE JESUS

Hegesipo relata que alguns das sete seitas que havia no povo perguntaram a Tiago, o Justo, “tis he thyra tou Iesou” (qual é a porta de Jesus), e ele disse que este é o Salvador; então alguns creram que Jesus é o Cristo.

4. CONCLUSÃO

Sem negar importância ao mistério da ascensão, os sectários teorizaram sobre tudo menos sobre ela, orientando suas preocupações para o ato final da economia: o ingresso dos espirituais no reino de Deus.