MÃE

Simone Pétrement. A Separate God: The Christian Origins of Gnosticism. San Francisco: Harper, 1984.

1. “A Mãe” como um Nome do Espírito Santo

A figura da Mãe no gnosticismo representa o Espírito Santo, sendo uma concepção que não era desconhecida no cristianismo primitivo, explicada pelo fato de a palavra “espírito” (ruah) ser feminina em hebraico.

2. A “Mãe” Cativa dos Anjos

O mito atribuído a Simão, segundo o qual a Ennoia, após dar à luz os anjos que fizeram o mundo, foi por eles mantida cativa e sofreu ultrajes, pode ser compreendido com base em certos pensamentos de Paulo e João.

3. “Helena”

A figura de Helena, que segundo Justino acompanhava Simão Mago e teria sido anteriormente uma prostituta, sendo considerada a “primeira Ennoia” (Pensamento) gerada por Simão, pode ser explicada como uma representação coletiva dos helenistas ou como a mulher siro-fenícia do Evangelho.

4. Sofia (Sophia)

O mito de Sofia, conhecido principalmente através dos heresiólogos como uma doutrina esotérica de Valentino ou dos valentinianos, descreve a queda do último éon por desejar compreender Deus diretamente, dando origem ao Demiurgo.

5. “Barbelo”

Em algumas seitas gnósticas com vínculos com o valentinianismo, a Mãe suprema é chamada pelo nome misterioso de Barbelo, que provavelmente significa “Filho do Senhor” ou “Filho de seu marido”.

Apêndice: Investigações e Observações Adicionais

As hipóteses de Quispel para explicar a doutrina gnóstica da Mãe por meio de ideias judaicas não explicam o que é distintamente gnóstico nesse mito, como a revolta dos anjos contra Sofia e sua opressão.

As investigações de Wilckens sobre os textos da Sabedoria no judaísmo e nos gnósticos mostram que os textos judaicos, mesmo quando implicam uma concepção mitológica, não implicam uma concepção gnóstica.

O nome Prounikos dado a alguns gnósticos a Sofia não significa necessariamente lascívia ou libertinagem, como interpretou Epifânio, podendo antes indicar a capacidade de gerar ou de dar à luz.