DEMIURGO

Simone Pétrement. A Separate God: The Christian Origins of Gnosticism. San Francisco: Harper, 1984.

Capítulo I: O Demiurgo

A narrativa gnóstica sobre a criação do mundo envolve um Demiurgo ou Criador que se proclama Deus, mas que na realidade é uma potência inferior que não conhece o Deus verdadeiro.

O Demiurgo dos gnósticos é simplesmente o Deus do Antigo Testamento, que passou a ser distinguido do Deus verdadeiro, ensinando a separação fundamental entre Deus e o mundo e entre a religião cristã e a Lei do Antigo Testamento.

A narrativa gnóstica sobre o Demiurgo visa demonstrar a novidade, a superioridade e a verdade absoluta da revelação trazida pelo Salvador, uma realidade desconhecida pela Lei do Antigo Testamento.

O Salvador gnóstico, que trouxe o conhecimento do Deus verdadeiro, é necessariamente uma figura histórica de importância excepcional, e essa figura só pode ser Cristo, cuja imagem da cruz foi revolucionária.

A Tensão entre Judaísmo e Cristianismo no Final do Primeiro Século

No final do primeiro século, o fosso entre cristianismo e judaísmo se aprofundou, levando a exclusões mútuas e ao endurecimento das posições de ambos os lados.

O Vínculo entre essa Tensão e o Aparecimento do Demiurgo

A teologia paulina da cruz, ao separar Deus do mundo e ensinar que as potências não conhecem o bem, liberta os seres humanos da servidão espiritual imposta pelo espírito do Antigo Testamento e das religiões antigas em geral.

Possíveis Objeções a essa Explicação

Embora os gnósticos fossem docetistas e parecessem dizer que o corpo de Cristo e sua crucificação não passaram de aparências, isso não significa que tenham renunciado a uma teologia da cruz, pois essa derrota foi uma vitória.

Outras Explicações que Foram Propostas

A concepção gnóstica do Demiurgo não pode ser explicada pelo judaísmo pré-cristão nem pelo paganismo, pois nada no judaísmo levaria a postular tal distância entre Deus e o Criador do Antigo Testamento, representando-o como ignorante do Deus verdadeiro.

“Não Amaldiçoe Ptahil”

Os gnósticos, embora negassem o título de Deus ao Criador bíblico, preservaram essa figura e muitos elementos do texto do Gênesis, mostrando que desejavam reter o Antigo Testamento, mas atribuindo-lhe um lugar subordinado.