Certos teólogos gnósticos avaliam a autoafirmação do demiurgo de maneira totalmente negativa — o descrevem como hostil aos que buscam a perspectiva superior (gnosis); os
valentinianos, porém, veem que a aparente autonomia da imagem tem uma função especial a cumprir no processo de redenção: a reificação ingênua pode, em sua visão, servir como um estágio no processo de alcançar a perspectiva — isso é expresso no
mito da “conversão” do demiurgo, pois quando o Salvador (
o logos) se revela como emergindo daquele poder criativo superior, o demiurgo abandona sua postura ingênua e absolutista, reconhecendo sua própria ignorância; confessa, nas palavras de
Heracleon, que ele mesmo é “menor do que” Cristo (ver
João 1:26-30) (CJ 6.39)