Tentações

ANTONIO ORBECRISTOLOGIA GNÓSTICA

CAPÍTULO 18: AS TENTAÇÕES DE JESUS

A luta entre o Salvador e o inimigo estende-se a toda a vida de Jesus, desde a sua viagem do céu à terra até à vitória da ascensão contra a metensomatose, sendo que as tentações que se seguiram ao batismo constituem um episódio central deste drama, interpretado pelos gnósticos como um paradigma para os crentes.

1. CENÁRIO E MOTIVO DA TENTAÇÃO

Os valentinianos (Excerpta ex Theodoto 85,1) situam as tentações imediatamente após o batismo (“em seguida, logo após o batismo, é sacudido o Senhor, para nossa ensino”), e escolhem o verbo “saleuetai” (ser sacudido externamente) em vez de “peirazesthai” para excluir toda tentação interna (como as da concupiscência), indicando que as tentações de Jesus seriam externas.

2. OS ANJOS E AS TENTAÇÕES

Os valentinianos (Excerpta ex Theodoto 85,3) afirmam que, após o batismo, é necessário armar-se com as armas do Senhor (Efésios 6:16) para apagar os dardos de fogo do diabo, e descrevem um combate entre o Espírito bom e os espíritos maus análogo ao que medeia entre a água e o fogo material.

3. CONCLUSÃO

Os gnósticos dizem muito pouco sobre o episódio das tentações porque, a priori, após a “iluminação” (gnose) o indivíduo (Jesus primeiro que ninguém) entra num regime de serena teoria, acessível apenas a tentações externas (epidérmicas) e protegido pela graça inalienável da gnose.