Redenção

ANTONIO ORBECRISTOLOGIA GNÓSTICA

1. AS ALMAS SÃO REDIMÍVEIS

A doutrina gnóstica sobre a redenção das almas varia conforme a antropologia de cada seita, sendo que alguns grupos distinguem entre o elemento psíquico (proveniente do criador) e o pneumático (procedente de Sofia), enquanto outros postulam uma centelha de luz na alma humana para explicar sua redimibilidade.

2. OS ESPÍRITOS, REDIMIDOS “PLENO IURE”

Apenas o homem pneumático, ou a igreja dos eleitos, é considerado redimido em toda a regra, uma vez que os espirituais, cidadãos do reino da vida eterna, são libertados do cativeiro da hyle, da corrupção e da morte, passando de um extremo a outro.

3. A REDENÇÃO E A CRUZ

A morte de Jesus na cruz é interpretada por diferentes correntes gnósticas como um resgate pago ao criador (demiurgo) para comprar os homens por ele criados, sendo que a eficácia deste resgate é compreendida de maneira distinta por marcionitas e valentinianos.

4. VALENTINIANOS

Os valentinianos desenvolveram uma soteriologia complexa na qual Cristo, desde o princípio do mundo, havia depositado sua alma (Sofia, a igreja dos seus) em diáspora, prisioneira de ladrões (arcontes), vindo posteriormente a resgatá-la e a salvar também os estranhos (homens psíquicos).

5. DIFERENTES ASPECTOS DA REDENÇÃO ENTRE OS VALENTINIANOS

A redenção, entre os valentinianos, é um conceito multifacetado que se aplica não apenas à humanidade, mas também ao próprio Jesus (em sua humanidade), aos anjos e aos eons do Pleroma, sendo frequentemente identificada com a gnose e com a libertação da ignorância.

6. A MODO DE SÍNTESE E COMPLEMENTO

A redenção gnóstica, longe de ser um conceito genérico e pagão de simples liberação ou reintegração de elementos divinos, é fundamental e essencialmente cristológica em seu ponto de partida e em seu mecanismo soteriológico, centrando-se no drama do Calvário.