OS EXECUTORES DA MORTE DE JESUS — Intimamente ligado ao triunfo do Salvador na cruz está o papel dos executores de sua morte, sendo que, para os eclesiásticos, os responsáveis eram
Israel e os pagãos, enquanto para os gnósticos a responsabilidade máxima recaía sobre o inimigo (
Thanatos ou
diabo), que usou os judeus (psíquicos cheios de paixões, feitos “filhos do
diabo”) para dar morte a
Jesus, isentando o demiurgo Yahvé e Pilatos.
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Pseudo-Barnabé (7,9) e Melitão afirmam que os judeus crucificaram
Jesus após tê-lo desprezado, traspassado e cuspido.
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Orígenes explica que os judeus, por dureza de coração e por interpretarem literalmente as profecias (como a restauração da cidade, o fim dos carros de Efraim e a paz entre animais ferozes), não creram em
Jesus e o crucificaram.
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Atos de Pilatos e Atos de João apontam que
Satanás, o herdeiro das trevas, ou a “serpente ímpia” inspiradora da Lei, moveu os ímpios e os hebreus contra
Jesus.
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Para os cainitas, apenas Judas entendeu o mistério da morte salvífica e, agindo sob influxo de Sofia, realizou o mistério da traição para que a redenção do universo se levasse a efeito, ao contrário dos arcontes que tentavam impedi-la.
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Os audianos e outros grupos (como os
ofitas) atribuíam a morte de
Jesus ao demiurgo ou a seus arcontes, que se encolerizaram contra ele e o crucificaram.
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MORTE E ENGANO: A VITÓRIA SOBRE A MORTE DEVORADORA — O drama da morte de
Jesus se sintetiza na ideia de que a morte havia devorado primeiro o homem, mas
Jesus, morrendo na cruz, devora a morte e liberta o homem, utilizando uma tática de fraude contra o inimigo, que foi enganado pela humanidade de Cristo, escondendo o anzol da divindade no isca da carne.
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O FRAUDE COMO ESTRATÉGIA DE VITÓRIA — O Salvador adotou uma tática de fraude contra a Morte (
Thanatos), escondendo sua divindade desde a encarnação (virgindade de Maria, nascimento, humildade) até a cruz, a fim de que o inimigo, ao vê-lo como puro homem, o devorasse e fosse vencido, sendo obrigado a vomitar as almas que injustamente possuía.
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A frase “a ninguém digais o que vistes” (
Mt 17,9;
Mc 9,9) foi para evitar que, entendendo quem era o Senhor, se abstivessem de pôr as mãos nele, e a morte se afastasse, frustrando a economia.
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O
valentiniano Marcos revela que o masculino da tétrada suprema não poderia ser suportado pelo mundo, assim como o
Filho se apresentou de forma acessível para poder entrar no império do
Thanatos e debelá-lo.
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Orígenes explica que o
diabo não soltaria as almas se primeiro
Jesus não lhe entregasse a sua alma, enganando-se ao pensar que poderia dominá-la, sem ver que não poderia resistir à dor de sujeitá-la.
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A analogia do anzol, presente em Rufino e em outros autores, compara o
diabo a um grande peixe (cetáceo) que devora o corpo de
Jesus sem sentir o anzol da divindade oculto nele, ficando preso e sendo extraído das profundezas do inferno.
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Cristo deu morte ao
Thanatos, privando-o do império e obrigando-o a vomitar aqueles que havia devorado desde o início da história humana, embora os gnósticos limitassem essa vitória aos homens psíquicos e pneumáticos, não aos hílicos.
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CONCLUSÃO SOBRE A MORTE DE CRISTO NA PERSPECTIVA GNÓSTICA — Nenhum herege negou a morte de Cristo, mas os gnósticos, dentro de um esquema platônico, negaram um conteúdo verdadeiro e real aos fenômenos do Kenoma (região da imagem), considerando a morte visível de
Jesus na cruz como um evento que possui a verdade do sucesso, mas a não-verdade do conteúdo.
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A morte “comum”, pela separação física da alma, era inevitável e não tinha peso específico, enquanto a morte dos racionais (psíquicos) interessava aos gnósticos como sequência da “substância média”, que podia escolher o caminho da dissolução ou o da incorruptela.
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A morte de
Jesus oferecia aos “psíquicos” o paradigma de superioridade à matéria e à ignorância, e agia indiretamente sobre os “pneumáticos” ao dispor para a gnose o “psíquico” em que se escondiam.
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O combate crucial na cruz foi entre o Salvador e o príncipe da morte (
Thanatos), dono do
hades, onde o Salvador, por iniciativa própria, pendurou o corpo na cruz, mas o
Thanatos foi defraudado porque não conseguiu a alma (Cristo animal) nem o
]], que passaram aos cuidados do
Pai.
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A vitória de
Jesus por fraude harmoniza-se com sua dispensação de escondimento e humildade; ele engendou a morte à Morte, privando-a do principado sobre o
]] e tornando ineficaz seu poder para aqueles que professam o
Evangelho do Deus ignoto.