Cristo em profecia

ANTONIO ORBECRISTOLOGIA GNÓSTICA

CAPÍTULO 2: CRISTO EM PROFECIA

A análise das profecias do Antigo Testamento revela que, no século II, não existia uma atitude uniforme quanto à inspiração profética e à relação entre os dois Testamentos, distinguindo-se fundamentalmente as posições da Grande Igreja, de Marción e Apeles, e dos gnósticos.

2. EXEGESE DE João 10,8

O logion de Jesus “Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores” (João 10,8) recebeu exegeses distintas entre os eclesiásticos e os gnósticos, sendo que Clemente de Alexandria o aplica aos falsos profetas e aos filósofos pagãos que se apropriaram indevidamente de verdades das Escrituras.

3. INSPIRAÇÃO DOS PROFETAS

A doutrina sectária sobre os profetas era complexa, e os gnósticos não adotavam uma postura uniforme diante da Lei de Moisés e dos Profetas, distinguindo múltiplas fontes de inspiração que podiam ser arcónticas (do criador), espirituais (de Sofia ou do Logos), ou até mesmo diabólicas.

4. APLICAÇÕES PARTICULARES

Os gnósticos aplicaram ao Antigo Testamento uma exegese espiritual que visava descobrir, sob a letra obvia, referências cristológicas, considerando que muitos oráculos foram ditados a impulsos de duplo espírito: um para os fatos da economia hebraica (arcôntica) e outro para os mistérios da economia da salvação.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os grandes corifeus gnósticos do século II conhecem três fases na existência de Cristo: a do Pleroma (em estádio exemplar puro), a do Novo Testamento (em estádio sensível e histórico), e a do Antigo Testamento (em vaticínio), que se compaginam e confluem num verso ou perícopa da Escritura.