Pecado

ANTONIO ORBEANTROPOLOGIA DE SÃO IRINEU

CAPÍTULO IX: O PECADO EM SUA VERTENTE ANGÉLICA E HUMANA

A análise da existência do pecado parte da constatação de que uns anjos transgrediram o preceito de Deus e outros não, sendo um mistério sublime que deve ser cedido a Deus e ao seu Verbo.

O relato da queda em Gênesis apresenta cinco elementos que integram o pecado do anjo (inveja e sedução) e o pecado do homem (desobediência), seguidos da maldição do tentador e do desterro do transgressor.

O anjo apóstata é denominado por Irineu “príncipe da apostasia”, título que reflete não só sua rebelião pessoal contra o Criador, mas sobretudo seu propósito de arrastar a ela os homens, especialmente Adão e Eva e depois o próprio Jesus.

A filiação diabólica é explicada por Irineu mediante a distinção entre duas maneiras de ser filho: uma segundo a natureza (nascido) e outra segundo o ser feito (adoção por doutrina), sendo que os que se confiam ao diabo e praticam suas obras são chamados “anjos do diabo” e “filhos do maligno”.

A inveja diabólica, inspirada em Sabedoria 2,24 (“Por inveja do diabo entrou a morte no mundo”), é apontada por Irineu como o pecado interno do anjo, que se fez apóstata da divina lei por invejar o homem.

A sedução é descrita como o ataque externo do diabo baseado na mentira contra o Verbo de Deus, distraindo a mente da palavra divina para enervar o mandamento e fazer saltar o limite posto pelo Criador à liberdade humana.

A desobediência de Adão é apresentada por Irineu como o anverso tristíssimo do mandamento de Deus, sendo o objeto do mandato pouco importante e o que pesa é a insumissão do homem.