Morte

ANTONIO ORBEANTROPOLOGIA DE SÃO IRINEU

CAPÍTULO XIV: A MORTE

A análise da morte como efeito do pecado de Adão parte da questão sobre se o homem foi criado mortal ou imortal, questão formulada por Teófilo de Antioquia em termos que negam ambos os extremos.

Nemesio de Emesa apresenta a doutrina dos hebreus sobre o homem como nem mortal nem imortal no princípio, mas no meio de ambas as naturezas.

Fílon de Alexandria distingue claramente duas classes de morte: a morte comum (física, separação da alma do corpo) e a morte por excelência (particular, característica da alma, que é a corrupção da virtude e a aquisição do vício).

Para Taciano, a morte corpórea apenas lhe merece atenção, atribuindo à alma – não só ao homem – a mortalidade, por sua espontânea inclinação à matéria e paixões, como se a permanência no ser dependesse de sua conduta com o espírito e com a carne.

Justino Mártir conhece sobretudo a morte comum (separação entre o corpo e a alma), e sob o nome de “morte” indica também a sequela do pecado como realidade física enquanto efeito da transgressão de Adão.

Orígenes enumera quatro mortes (separação do corpo da alma, separação da alma de Deus, o próprio autor da morte = diabo, e o lugar do inferno onde as almas eram detidas pela morte), sendo a morte natural indiferente e desejável até pelos condenados.

Marción e os marcionitas atribuíam a morte física ao delito (ao diabo e à imprevisão do demiurgo), ensinando também que o corpo, como matéria, não se pode salvar.

Os valentinianos conceberam um “reino da morte” desde o pecado de Adão até a vinda de Cristo, sendo necessário que o Filho de Deus viesse em forma espiritual e animal para salvar, tirando do império da morte, as duas igrejas (espiritual e psíquica) reduzidas por ela a cativeiro.

Para os valentinianos, o demiurgo, em castigo à desobediência de Adão, vestiu os primeiros pais com “túnicas de pele” (Gênesis 3:21), com os corpos carnais, sensíveis e crassos que hoje se conhecem, que testemunham a transgressão como um perpétuo sambenito.