O estranho é aquilo que provém de outro lugar e não pertence aqui, sendo incompreensível para os que habitam este mundo, assim como este mundo é igualmente incompreensível para o estranho que nele vem habitar.
O estranho sofre o destino de quem é solitário, desprotegido, incompreendido e desorientado numa situação de perigo.
A angústia e a saudade da terra natal fazem parte do quinhão do estrangeiro.
Se o estranho aprende bem demais os caminhos do mundo estrangeiro, esquece que é estranho e se perde de outro modo — torna-se “filho da casa”.
A recordação de sua própria condição de estranho e o reconhecimento do lugar do exílio constituem o primeiro passo de retorno; a saudade despertada é o início do regresso.
Com relação à sua origem, a condição de estranho é ao mesmo tempo uma marca de excelência e fonte de poder, impenetrável ao ambiente e incompreensível para as criaturas deste mundo.
O estranho tomado em sentido absoluto é o completamente transcendente, o “além”, e um atributo eminente de Deus.