Em Filon de Alexandria se encontram, além dos elementos platônicos e estoicos que recobrem o núcleo judaico, também a linguagem dos cultos mistéricos e a incipiente terminologia de uma nova mística, sendo que as próprias religiões mistéricas mantêm fortes relações com o complexo de ideias astrais.
O neoplatonismo está amplamente aberto a toda tradição religiosa pagã — e especialmente oriental — que possua pretensão de antiguidade e auréola de espiritualidade.
O cristianismo, mesmo em suas manifestações “ortodoxas”, teve desde o início — certamente já em são Paulo — aspectos sincréticos, largamente superados nesse aspecto por seus rebentos heréticos.
Os sistemas gnósticos compuseram tudo — mitologias orientais, doutrinas astrológicas, teologia iraniana, elementos da tradição judaica (bíblica, rabínica ou oculta), escatologia cristã da salvação, termos e conceitos platônicos.
O sincretismo atingiu nesse período sua maior eficácia: não estava mais confinado a cultos específicos e à preocupação de seus sacerdotes, mas permeava todo o pensamento da época e se manifestava em todas as províncias da expressão literária.
Assim, nenhum dos fenômenos enumerados pode ser considerado separadamente dos demais.