Valentino em Irineu

FOERSTER, W. Gnosis. A Selection of Gnostic Texts. R.M.L. WILSON. London: Clarendon Press, 1972.

EXCERTOS DE IRINEU (ADV. HAER. I 1,1 – 8,6)

A EMANAÇÃO DOS ÉONS E A OGDOADE PRIMORDIAL

Nas alturas invisíveis e inefáveis existe um éon preexistente e perfeito, chamado Pré-começo, Antepai e Causa Primeira (Bythos), que é incompreensível, invisível, eterno e não gerado.

A PRODUÇÃO DA DÉCADA E DA DUODÉCADA

Logos e Vida produziram dez éons, e Homem com a Igreja produziram doze éons, totalizando os trinta éons do Pleroma espiritual invisível.

O CONHECIMENTO DO PAI E A PAIXÃO DE SOFIA

O Forefather (Bythos) era conhecido apenas por Noûs (o Unigênito), que se alegrava em contemplá-lo, mas Silêncio o conteve de comunicar essa grandeza aos demais éons.

A PRODUÇÃO DE CRISTO E DO ESPÍRITO SANTO

Após a separação da substância de Sofia, o Unigênito produziu Cristo e o Espírito Santo para consolidação e fortalecimento do Pleroma.

A INDICAÇÃO DOS ÉONS NAS ESCRITURAS

Os trinta éons, a produção dos doze éons e os dezoito restantes são indicados por números, letras e eventos na vida de Jesus e nas Escrituras.

A FUNÇÃO DE HOROS (O LIMITE)

Horos (o Limite), também chamado de Cruz, Redentor e outros nomes, tem duas operações: consolidar (como Cruz) e dividir (como Limite).

O SOFRIMENTO DE ACHAMOTH FORA DO PLEROMA

O desejo de Sofia (Achamoth), removido do Pleroma, vagueia nos lugares vazios e sombrios como um aborto sem forma, até que Cristo lhe confere forma substancial.

A INTERVENÇÃO DO SALVADOR E A CRIAÇÃO DA MATÉRIA

Após sofrer, a mãe suplica ao Cristo, que envia o Paracleto (Salvador) para curá-la, separar suas paixões e transformá-las em matéria incorpórea.

AS TRÊS SUBSTÂNCIAS FUNDAMENTAIS

Existem três substâncias subjacentes a tudo: a material (da paixão), a psíquica (da conversão) e a espiritual (do que ela mesma gerou).

A CRIAÇÃO DO MUNDO PELO DEMIURGO

O Demiurgo, movido secretamente por sua mãe Achamoth, separa as naturezas misturadas, cria os céus, a terra e tudo o que há, sem conhecer as verdadeiras ideias.

A ORIGEM DAS SUBSTÂNCIAS A PARTIR DAS PAIXÕES

A substância material deriva de três paixões (medo, tristeza, perplexidade), enquanto a substância psíquica deriva do medo e da conversão.

A FORMAÇÃO DO HOMEM E A INSERÇÃO DO ESPIRITUAL

O Demiurgo forma o homem a partir de substância invisível, sopra-lhe o psíquico (“imagem e semelhança”) e põe sobre ele a “túnica de pele” (carne), enquanto o espiritual é inserido secretamente por Achamoth.

AS TRÊS SUBSTÂNCIAS E SEUS DESTINOS

A substância material (esquerda) perece, a psíquica (direita) pode inclinar-se para qualquer lado, e a espiritual (pneumática) é salva por natureza.

A DISTINÇÃO ENTRE OS PSÍQUICOS (IGREJA) E OS PNEUMÁTICOS (ELES MESMOS)

Os homens psíquicos (nós, da Igreja) precisam de obras e fé para serem salvos, enquanto os homens espirituais (eles mesmos) são salvos para sempre por natureza, independentemente das ações.

O DESTINO FINAL NO PLEROMA E NO MEIO

Quando toda a semente estiver aperfeiçoada, Achamoth entrará no Pleroma como noiva do Salvador, os espíritos se despojarão das almas e entrarão como noivas dos anjos, enquanto o Demiurgo e as almas dos justos irão para o Meio.

A COMPOSIÇÃO QUÁDRUPLA DO SENHOR

Alguns dizem que o Demiurgo trouxe o Cristo psíquico, que passou por Maria como água por um tubo, e sobre ele desceu o Salvador do Pleroma em forma de pomba no batismo.

OS TRÊS TIPOS DE HOMENS E AS ESCRITURAS

Os valentinianos assumem três tipos de homens (espiritual, escolário e psíquico), correspondendo a Caim, Abel e Sete, e interpretam muitas passagens das Escrituras de acordo com seu sistema.

INDICAÇÃO DOS TRÊS TIPOS DE HOMENS PELO SALVADOR

O Salvador apontou os três tipos de homens (material, psíquico e espiritual) em suas respostas a diferentes pessoas, conforme relatado nos evangelhos.

A PEREGRINAÇÃO DE ACHAMOTH E SUA RESTAURAÇÃO

A peregrinação de Achamoth fora do Pleroma, sua busca pelo Salvador e sua restauração são tipificadas por várias passagens bíblicas, como a ovelha perdida, a dracma perdida, Simeão e Ana.

A INTERPRETAÇÃO DO PRÓLOGO DE JOÃO

João, o discípulo do Senhor, fez menção da primeira Ogdóade ao declarar a origem de todas as coisas, distinguindo e combinando Deus, Princípio (Noûs) e Logos.