Se o Homem Primordial foi resgatado, sua “armadura”, o “alma”, as partículas de Luz, seguem prisioneiras da matéria e precisam ser libertadas; essa tarefa será realizada pelo Espírito Vivente, que na tradição iraniana era chamado às vezes Mihryazd, “o Deus Mitra”.
Algumas fontes gregas chamam-no demiurgo, pois ele criou o mundo visível, cuja finalidade é a salvação das “almas”, tendo castigado os demônios da Escuridão — arcontes —, arrancou-lhes a pele e fez o céu delas, os montes de seus ossos e a terra de suas carnes
O universo está formado por dez firmamentos e oito esferas
Um filho do Espírito Vivente — Safet-
Ziwa, em siríaco o Splenditenens — sustenta o mais alto firmamento, e outro — Sakkala em siríaco — sustenta o oitavo orbe
O Espírito Vivente iniciou a libertação: as partículas de Luz não manchadas foram purificadas e delas se formou o sol e a lua — as naves da Luz —; as manchadas em menor grau formaram as estrelas
O
Pai da Grandeza emanou ao Terceiro Mensajero — izgadda, Tertius Legatus —, pai das doze virgens da Luz, ou os doze signos do Zodíaco
O Terceiro Mensageiro construiu o Espírito de Vida, uma enorme máquina, uma grande roda que extrai as partículas de Luz; estas vão ao sol e à lua — na primeira parte do mês à lua “pela coluna da glória”, na segunda ao sol
Há também a chamada “sedução dos arcontes”: quando o Terceiro Mensageiro navegava em sua nave de luz, a lua cruza a abóbada celeste e se faz visível às forças demoníacas acorrentadas; para o arconte macho era a Virgem da Luz desnuda — Kanigrôshn —, e para o arconte feminino o sol na forma de um jovem desnudo
Por excitação sexual, o arconte masculino dispersou sobre a terra seu esperma, que continha as partículas de Luz; as plantas absorveram a maior parte; o arconte fêmea abortou sobre a terra e os monstros surgidos devoraram as plantas e ingeriram as partículas de Luz
Dessa maneira a Luz fracionada ficou repartida entre os demônios e o mundo vegetal
A Matéria, personificada em concupiscência — Az —, decide concentrar toda a Luz numa só pessoa oposta ao divino; assim Ashqualûn, demônio masculino, devora a todos os demais e une-se a Namrâel, demônio feminino
Deles nascem Gêhmurd e Murdiyânag — Adão e Eva —, obra deles e de sua descendência, a humanidade, do canibalismo e da sexualidade
O corpo e a líbido serão os indícios permanentes que mostram essa origem demoníaca da humanidade; o primeiro, pela forma animal dos arcontes, e o segundo, como estímulo colaborador para manter prisioneiras as partículas de Luz pela propagação da espécie humana; porém, também daí procederá a libertação