MITCHELL, Stephen. Genesis. New York: HarperCollins, 2010.
A serpente, a mais astuta das criaturas, interrogou a mulher sobre a proibição divina, distorcendo-a, e afirmou que comer da árvore não causaria morte, mas abriria os olhos de ambos para tornarem-se como deuses, conhecendo o bem e o mal.
A pergunta da serpente amplia a proibição de forma distorcida: “Deus disse que não podeis comer de nenhuma árvore do jardim?”
A mulher corrigiu a distorção, mas acrescentou uma restrição não mencionada por Deus: “nem tocareis nela.”
A serpente contradisse diretamente a ameaça divina: “Não morrereis.”
A mulher viu que a árvore era boa para comer e bela de contemplar, tomou um fruto, comeu e deu ao marido, que também comeu; então os olhos de ambos se abriram e perceberam que estavam nus, costurando folhas de figueira para cobrir-se.
A abertura dos olhos não resulta em divindade, mas em consciência da nudez — inversão da promessa da serpente.
A confecção de cintos de folhas de figueira marca a emergência do pudor.