MITCHELL, Stephen. Genesis. New York: HarperCollins, 2010.
O Senhor plantou um jardim no Éden, a leste, fazendo crescer do solo toda árvore bela e comestível, com a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal ao centro, e ali colocou o homem para cultivá-lo e cuidar dele.
O Éden é um espaço cultivado por iniciativa divina, não pela ação humana.
Ao homem foram permitidas todas as árvores do jardim, com exceção de uma.
A proibição divina: “No dia em que comeres da árvore do conhecimento do bem e do mal, morrerás.”
O Senhor fez cair sobre o homem um sono profundo, retirou uma de suas costelas, fechou o lugar com carne, construiu a costela em mulher e a trouxe ao homem, que a reconheceu como osso de seus ossos e carne de sua carne.
O homem declarou: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada.”
A narrativa fundamenta a união conjugal: “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe e se une à sua mulher, e os dois se tornam uma só carne.”
Ambos estavam nus e não sentiam vergonha — estado de inocência anterior à transgressão.
A serpente, a mais astuta das criaturas, interrogou a mulher sobre a proibição divina, distorcendo-a, e afirmou que comer da árvore não causaria morte, mas abriria os olhos de ambos para tornarem-se como deuses, conhecendo o bem e o mal.
A pergunta da serpente amplia a proibição de forma distorcida: “Deus disse que não podeis comer de nenhuma árvore do jardim?”
A mulher corrigiu a distorção, mas acrescentou uma restrição não mencionada por Deus: “nem tocareis nela.”
A serpente contradisse diretamente a ameaça divina: “Não morrereis.”
A mulher viu que a árvore era boa para comer e bela de contemplar, tomou um fruto, comeu e deu ao marido, que também comeu; então os olhos de ambos se abriram e perceberam que estavam nus, costurando folhas de figueira para cobrir-se.
A abertura dos olhos não resulta em divindade, mas em consciência da nudez — inversão da promessa da serpente.
A confecção de cintos de folhas de figueira marca a emergência do pudor.