A postulação de paixões dotadas de perfeição assenta diretamente na doutrina das emanações sefiróticas desenvolvida por Cordovéro.
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O sistema das dez sefirot atua como elo dinâmico entre a transcendência absoluta e a imanência no mundo criado.
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Cordovéro pontua no Pardés Rimonim que o direcionamento das criaturas exigiu a emanação de um instrumento capaz de unificar a generosidade atuante na terra à generosidade essencial de Deus.
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Os instrumentos sefiróticos não se apartam do Criador como criações alheias, identificando-se com sua própria realidade substancial.
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O modelo conceitual sela a fusão entre a atividade e a passividade da virtude generosa.
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O bem pressupõe a existência da bondade em caráter de afeição e paixão originária.
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Cordovéro combateu as correntes cabalísticas que externalizavam as sefirot, argumentando que tal visão privaria Deus da capacidade de discernir e se afetar pela diferença entre o justo e o ímpio.
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Atributos puramente mecânicos agiriam de forma programada e seriam destituídos da faculdade de sofrer o impacto da distinção entre o bem e o mal.
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A dupla condição das sefirot como ferramentas e substância atesta que a atividade divina traz em si uma dimensão passional.
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Embora derivadas da causa primordial do En-Sof, as emanações conservam a potência infinita de sua origem e não se separam dela.
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Cordovéro ilustra o vínculo entre o En-Sof e as sefirot por meio da analogia entre a alma e o corpo orgânico que ela vivifica.
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O despliegue da causa unifica as emanações em dignidade, preservando suas diferenciações funcionais sob o aspecto de instrumentos, conforme anota Yossef ben Chlomo.
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As sefirot agem como receptores que experimentam o bem e o mal na intimidade de sua estrutura, tornando-se vulneráveis às ações e falhas humanas.
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A vontade do bem na divindade confunde-se com a própria paixão pelo bem.
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O sistema exibe atividade na condição de instrumento e passividade na qualidade de substância do ser divino.
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Cordovéro projeta o conceito de morte na esfera sefirótica para designar o refluxo permanente da substância em direção ao En-Sof original.
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A morte humana espelha esse movimento de retorno à fonte, configurando a expressão limite da passividade realçada por Emmanuel Lévinas.