Deve-se explicar uma opção terminológica importante que vai contra um hábito bem estabelecido: preferiu-se a palavra mistagogia e seus derivados em vez da palavra mística para qualificar a cabala.
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A palavra místico é considerada um termo mal definido, frequentemente empregado de maneira imprecisa, conforme observado por Pierre Hadot.
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O sentido mais comum de místico designa estados psicológicos análogos à experiência unitiva plotiniana, caracterizados pelo desapego de toda atividade corporal e por exercícios puramente espirituais.
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Os neoplatônicos, no entanto, empregam a palavra místico no sentido do que se relaciona aos mistérios, aos ritos religiosos e teúrgicos, e por extensão ao que é oculto, secreto, misterioso.
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Diante da contradição entre esses dois sentidos, Pierre Hadot sugere banir a palavra místico, solução adotada pelo autor.
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Preferiu-se a palavra mistagogia porque é empregada pelo neoplatônico Proclo (século V) para designar tradições secretas, mistérios divinos transmitidos sob forma de enigmas.
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A etimologia de mistagogia evoca ao mesmo tempo a ideia de segredo e a ideia de ensino ou iniciação, sugerindo uma sabedoria não apenas especulativa, mas transformante, conforme Jean Trouillard.
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Não se pretende negar a existência de atitudes ou experiências místicas no seio da cabala medieval ou pós-medieval, mas elas não deveriam autorizar a generalização do termo a ponto de fazer da expressão mística judaica um equivalente do hebraico qabbalah (cabala).