Os esoterismo das grandes religiões, embora sejam como ervas daninhas nos campos lavrados das disciplinas do saber, constituem um nicho fecundo onde a vida do espírito se refugia quando a aridez ambiente tende a esterilizar todo novo florescimento.
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O esoterismo judeu, em particular, propagou-se muito além de seu habitat inicial, formando uma floresta densa e ainda quase virgem, de ramificações inumeráveis.
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Dificilmente se encontra uma única área de atividade humana inteligente e criadora que não tenha sido, em algum momento ou grau, fecundada, polinizada ou simplesmente acariciada pelos imprevisíveis eflúvios da cabala.
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A cabala exerceu e ainda exerce um papel de detonador nos domínios mais diversos, suscitando vocações e provocando impulsos intelectuais, religiosos ou artísticos.
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Isaac Newton — cuja imaginação geométrica foi alimentada pela doutrina luriana da contração do infinito por meio da obra de Henry Moore — e Barnett Newman — que dela extraiu a inspiração principal de suas experiências pictóricas abstratas — figuram entre os muitos que beberam direta ou indiretamente da tradição esotérica do judaísmo.
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A doutrina luriana refere-se ao ensinamento de Isaac Luria (1534—1572), cabalista de Safed, centrado no conceito de tsimtsum — contração do infinito divino para permitir a criação do mundo.
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Françoise Monnoyeur aborda a relação entre espaço infinito e divino no capítulo intitulado Defesa de um espaço infinito e divino, em Infinito dos filósofos, infinito dos astrônomos, coleção Olhares sobre a ciência, Belin, Paris, 1995.
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Daniel Matt, da Universidade de Berkeley, especializado em história da cabala medieval, publicou nos Estados Unidos um estudo comparado entre a doutrina cabalística da origem do mundo e as teorias cosmológicas da física contemporânea, sob o título God and the Big Bang, Jewish Lights Publication, Woodstock, Vermont, 1996.
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Moshé Idel concedeu entrevista a Victor Malka intitulada A lei das coisas secretas, publicada em Atualidade Religiosa — Chaves para compreender o esoterismo, n. 8, setembro de 1996, p. 49—51.