Dentre os primeiros nomes próprios que a história reteve, o de rabi Isaac o Cego (morto por volta de 1235) designa o único cabalista do qual restou uma obra escrita minimamente substancial.
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Nem R. Abraão ben David de Posquières — seu próprio pai —, nem Jacob Nazir, que habitava também o Languedoc, perto de Narbonne, deixaram obras dignas desse nome no domínio cabalístico, embora os poucos fragmentos de seus escritos que sobreviveram testemunhem sua proximidade com as ideias e o simbolismo da cabala.
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A Abraão ben David deve-se, entre outras coisas, a primeira apresentação dos dois principais atributos divinos — a misericórdia e o juízo — sob a forma de uma figura andrógina cujos polos masculino e feminino se imbricam um no outro, esquema que será amplamente difundido e reelaborado pelos cabalistas posteriores.
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Isaac o Cego é autor de um comentário sobre o Livro da Criação, de diversos textos sobre a oração mística, de um comentário sobre a narrativa do Gênesis e de um comentário sobre o significado esotérico dos mandamentos, dos quais apenas alguns fragmentos dispersos chegaram até o presente.
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No comentário ao Livro da Criação, as sefirot são identificadas às causas misteriosas que procederam do Infinito — o Eyn Sof absolutamente oculto — e que constituem as essências de toda realidade.
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Motivos de origem neoplatônica foram assim intimamente combinados com os conceitos do Livro da Criação, e em certas fórmulas de Isaac o Cego e de seus discípulos imediatos foram reconhecidos ecos da terminologia do filósofo irlandês João Escoto Erígena (século X).
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O exame da obra de Isaac o Cego e dos fragmentos de seus escritos e ensinamentos transmitidos pelos cabalistas posteriores mostra que, com esse autor, a cabala já se constituiu plenamente em um sistema teosófico e teúrgico englobando toda a esfera religiosa do judaísmo, propondo uma total reinterpretação.