Nos primeiros séculos da era comum, Elias ocupa já um lugar de destaque na apocalíptica judaica, cujo núcleo é a visão pelo profeta Ezequiel da Mercavá — o carro de Deus — e do Templo ideal dos tempos escatológicos, e na qual os seres intermediários entre Deus e os homens desempenham um papel considerável.
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A divindade, que aparece a Ezequiel sob a forma de um aspecto de homem sentado num trono (1, 26), cede progressivamente lugar a um arcanjo supremo — seu lugar-tenente e representante —, enquanto o Criador em sua transcendência parece afastar-se e tornar-se inacessível.
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Essa emergência de um plano intermediário entre o Deus transcendente e o aquém situa-se provavelmente na virada da Antiguidade, quando a cultura helenística e a religião dos Hebreus — já preparados a essa recomposição pelo exílio na Babilônia, em 538 a.C. — se encontram e se chocam, impondo a necessidade de introduzir uma distância essencial entre o absoluto divino e sua presença concreta.
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A visão, narrada no livro de Daniel (165 a.C.), de um Deus sob a forma de um ancião com barba branca como lã terá impacto duradouro sobre as experiências de visão apocalíptica e sobre a cabala medieval — em particular sobre o Zohar.
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Os místicos que narram suas viagens celestes nos escritos apocalípticos compõem magníficos poemas nos quais proclamam os louvores do Senhor oculto e entoam em uníssono com os coros de anjos a glória do Altíssimo.
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O mais célebre desses textos é sem dúvida o Livro de Henoc; embora de caráter essencialmente descritivo, ele desvela os mecanismos internos do mundo celeste e se refere aos mistérios da criação.
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A revelação dos nomes e das funções dos anjos que cercam o Trono divino torna acessíveis aos peregrinos do céu os segredos da natureza, governada e modelada pelas potências angélicas sob as ordens do Rei supremo — constituindo assim, no interior do corpus apocalíptico, as formas primitivas das especulações sobre o Maassê Berechit (a narrativa da criação).
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A figuração antropomórfica do Deus percebido pelos místicos é particularmente destacada num escrito antigo de data incerta — situado por vezes no século III, outras no século VIII —, designado pelo título de Chi'our Qomah (a medida da envergadura), que descreve em detalhe as dimensões gigantescas do Criador e faz do conhecimento de suas medidas precisas um meio seguro de salvação; atribuído ao rabi Akiba e ao rabi Ismaël, esse escrito terá sua envergadura divina associada posteriormente às dez sefirot do Livro da Criação e identificada à estrutura do sistema das emanações.