O Yeshua de Tomé difere do Yeshua dos outros
evangelhos não tanto na natureza última do Cristo quanto na apresentação de seu ensinamento — diferença de escuta, não de palavras —, e isso torna possível ler esse
evangelho de modo católico, ortodoxo ou de outro modo, assim como se leem Lucas, Marcos, Mateus e João de maneiras diferentes, sem necessidade de polêmica dualista que o oponha aos
evangelhos canônicos.
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A proposta é ler todos os
evangelhos juntos como diferentes pontos de vista sobre o Cristo, existentes tanto dentro quanto fora do ser humano, em dimensões históricas e meta-históricas.
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A descoberta de Nag Hammadi convida a ir além tanto do entusiasmo ingênuo quanto da suspeita doutrinária, cultivando o “ouvido do justo meio” para escutar o Espírito que fala a todos os seres humanos além de todas as igrejas, religiões e elites.
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A tradução utiliza o texto copta estabelecido por Yves Haas, os papiros de Oxirrinco e a retroversão grega de Rudolf Kasser, além dos trabalhos do Professor
Puech e do Professor Ménard — com quem o tradutor trabalhou na Universidade de Estrasburgo sobre o
Evangelho da Verdade —, sem pretensão de apresentar uma versão “definitiva,” mas como uma interpretação fiel ao sopro e ao espírito tanto quanto às letras das palavras.
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O comentário proposto não é tanto uma análise textual quanto uma meditação nascida do solo lavrado do silêncio, distanciando-se tanto das querelas dos eruditos quanto dos excessos esotéricos, buscando deixar os logia falar por si mesmos e conduzir a uma viagem de transformação rumo à plena realização do ser.
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A questão central é se é possível ler o
Evangelho de Tomé hoje como uma escritura livre dos glosários da crítica textual ou do excesso subjetivo, permitindo que ele penetre na mente e no coração da humanidade.