Mesmo sem chegar a afirmar com Jean Guitton que o espírito gnóstico continua a inspirar nos dias atuais a filosofia e a política, os muitos afluentes em que a antiga gnose se dividiu revelam sua presença difusa na história da arte e da literatura europeias.
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Das visões maniqueístas de Hieronymus Bosch às de William Blake, alimentadas por uma mitologia em que, segundo observação registrada no texto, alita o vento tempestuoso da antiga gnose.
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Friedrich von Hardenberg — Novalis — com seu idealismo mágico, constitui a possível carta de fundação de uma poética em que o ato literário é concebido como intervenção sobre o absoluto: em seus poemas se distinguem as linhas mestras do antigo mito gnóstico, com a queda do Pleroma e a reconstituição da unidade primordial.
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Novalis acreditava derivar seu poder prometeico de tradições ocultas e cabalísticas de sabor gnóstico, da mística dos números e das visões de Emanuel
Swedenborg.
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Novalis e seu misticismo do saber exemplificam o aspecto da literatura alemã para o qual vale a seguinte observação registrada no texto: a essência do Si está em uníssono com a essência das essências — Deus, Universo, Ser — e a busca pelo Si verdadeiro ou interior traz consigo a promessa de proximidade, senão de união com o divino.
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Gérard de Nerval estudou com paixão livros de esoterismo, magia e teosofia; suas obras Aurelia de 1853 e Les Chimères de 1854 prefiguram as Correspondances de Charles Baudelaire de 1857.
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As ideias religiosas de Victor Hugo são descritas no texto como as mais grandiosas de todo o romantismo, contendo uma metafísica extremamente complicada, mitos de tendência gnóstica e uma doutrina das reencarnações.
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A partir do pré-romantismo, o tema da natureza desolada, considerada como resíduo ou imagem desfigurada de um estado mais glorioso destruído pela queda, perseguiu a literatura ocidental.
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O surrealismo, com seu aspecto prometéico e sua busca de um poder absoluto mediado por técnicas esotéricas e cabalísticas, parece reimergir nos paraísos perdidos da antiga gnose.
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Hermann Hesse é apontado como a mais evidente manifestação do gnosticismo romântico no século XX; sua obra de juventude Demian expressa o sentimento gnóstico descrito no texto como o sentimento romântico por excelência — o sentimento do limite do destino e o desejo de romper esses limites, de quebrar a condição humana, de evadir de tudo.
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Franz Kafka, William Faulkner e outros grandes autores forneceriam, segundo observação registrada no texto, material muito construtivo para análise da natureza gnóstica dos temas da absurdidade do mundo e do sentimento de estranheza.