Para se manifestar, o espírito se reveste de um corpo: primeiro um corpo de pedra (desejo petrificado, prisão de si mesmo, fogo negro não aceso), depois um corpo sublimado (corpo glorioso da alma).
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O primeiro corpo é o arquétipo de todos os corpos terrestres; a alma é sua própria prisão, um símbolo de trevas.
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A vontade una se divide desde o nascimento da alma em dois movimentos contrários (concentração e explosão), que geram um turbilhão: a roda da angústia.
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O inferno (cólera do Pai, fogo frio da morte) está na raiz de toda vida; nascemos em inferno e a dinâmica da alma vai do mal ao bem, do inferno ao paraíso.
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O desejo de se manifestar é um instinto primário da Divindade, e o mal se compreende pela finalidade deste instinto: tornar perceptível o que não o era, pois é a dor que torna sensível a vida.
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A cólera de Deus desperta a vida; sem ela, a vida não nasceria.
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A passagem do primeiro corpo ao segundo se dá por uma transmutação que abole o primeiro (segunda nascença).
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A sublimação faz renascer de um eu miserável a um si realizado (lírio).
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O desdobramento da alma implica dois instintos que são um: manifestar-se (expansão) e superar-se (ascensão), gerando a si mesmo como o Pai gera o Filho.
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A maternidade da alma é a do desejo; há duas mães: a mãe tenebrosa (imagem do Pai) e a Virgem (Sabedoria, mãe do Cristo).
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A segunda nascença (João 3) é nascer de cima, de uma outra mãe, progredindo; a regressão ao ventre tenebroso (Lúcifer) é a descida fatal ao abismo.
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O desejo engendra uma imagem de si mesmo pela imaginação (faculdade de produzir imagens reais), que é a fé quando boa, gerando à imagem do Deus de luz.
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O desejo insaciável produz a crença; o desejo que morre e renasce eternamente saciado cria uma substância (corpo espiritual) pela magia da imaginação ex nihilo.
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O espírito (vontade) se contempla no espelho do corpo de luz, e deste duplo desejo (espírito que deseja a imagem e imagem que deseja o espírito) nasce o Espírito Santo (suspiro de amor).
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O fogo (espírito) busca sua imagem e a encontra na água (fixa o fogo, dá-lhe um corpo, acalma sua violência), abandonando-se na contemplação.
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O abandono da vontade não é submissão à Lei (reino da cólera), mas libertação da Lei.
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A alma que se encontra está no paraíso (sua própria substância, corpo glorioso), mesmo aqui na terra.
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O arquétipo de todos os corpos gloriosos aparece no sétimo grau do ciclo: a natureza sublimada unida à Sabedoria.
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A verdadeira unidade não está no Uno indivisível, mas na união sem confusão do Pai (fogo) e do Filho (luz), onde o fogo é adocicado pela água (óleo da lâmpada).
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Adão pecou pelo sono e pela magia do sonho (imaginação perversa), perdendo o corpo celestial e tornando-se macho (fogo devorante).
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Eva nasceu do sonho de Adão à sua imagem decaída.
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A semente depositada no seio de Eva (germe de luz) desperta no seio de Maria, e no corpo celestial de Cristo o fogo transmutado se une à luz (totalidade recuperada).
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O homem virginal é o símbolo do desejo saciado, conjunção de dois desejos (fogo que deseja a luz e água que deseja o fogo vivificador), numa integridade indestrutível (lírio).