Fariseu e publicano

PARÁBOLAS EVANGÉLICAS — O FARISEU E O PUBLICANO (Lucas 18:9-14)

Antonio Orbe:

Marcion reteve a parábola para ridicularizar a hipócrita religiosidade judia, e para rechaçar o culto de Jeová. Seu pensamento se conhece através de Tertuliano.

O Comentário ao Diatessaron não permite descobrir as cláusulas de Taciano. Escreve Efrem: “O fariseu que orava, dizia de si coisas verdadeiras; mas por dizê-las com jactância, e o publicano (por sua vez), com humildade, seus pecados, a confissão das faltas deste agradou mais a Deus que a ostentação das esmolas daquele”.

Taciano sabia apoiar a complacência divina no humilde pecador, acudindo à doutrina do Discurso contra os helenos: “Porque de suja a alma é trevas e nada luminoso há nela”.

Tertuliano põe em relevo a modéstia e a humildade necessárias para a oração.

Cipriano segue o mestre Tertuliano, enaltecendo ainda mais o publicano da parábola.

Clemente de Alexandria se contenta em citar sem comentário invertendo a ordem dos membros, com um paralelo com Platão.

Orígenes legou melhores elementos.

Jean-Claude Larchet: TERAPÊUTICA DAS DOENÇAS ESPIRITUAIS

O orgulho impele o homem a medir-se a si mesmo com seu próximo e, antes de afirmar sua superioridade em relação a ele, a afirmar aquilo que o distingue, a crer-se fundamentalmente diferente. O arquétipo dessa atitude é-nos apresentado no Evangelho pelo exemplo do fariseu que diz: «Não sou como os demais homens (…) nem como esse publicano» (Lc. 18, 11). Pelo orgulho, o homem experimenta a necessidade de comparar-se, de estabelecer hierarquias, antes de concluir por sua superioridade, absoluta ou relativa, neste ou naquele âmbito, ou mesmo em todos aqueles que ele representa para si. Por isso, é especialmente levado a julgar desfavoravelmente seu próximo e a criticar quase sistematicamente sua maneira de pensar e de viver.

Maurice Nicoll: FARISEU E PUBLICANO