O paradoxo de
Jo 4,38 sobre os que se cansaram a trabalhar fica esclarecido pela conexão com o verbo “cansar” de
Jo 4,6, referido ao próprio Jesus, o enviado do
Pai que tudo iniciou e preparou, sendo possível ainda que o plural “outros” inclua João Batista e demais discípulos que batizavam naquela região.
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Jo 4,6: “Então Jesus, cansado da caminhada…”
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Jo 4,35: “Levantai os olhos e vede os campos já doirados para a ceifa.”
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O plural “outros se cansaram” pode aludir a João Batista e aos discípulos que batizavam na região, conforme
Jo 4,2, descrevendo possíveis tensões internas à comunidade joanica sobre a primazia de quem iniciou a missão.
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Jo 4,36: “Já o ceifeiro recebe o seu salário e recolhe o fruto em ordem à vida eterna, de modo que se alegram ao mesmo tempo aquele que semeia e o que ceifa.”
Jesus revela-se aos samaritanos (Jo 4,39-42)
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O sinal-narrativa termina com o bloco literário dos vv. 39-42, que desenvolve o crescendo catequético dos samaritanos — da palavra da mulher à palavra de Jesus —, culminando na profissão de fé em Jesus como Salvador do mundo.
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Jo 4,39: “Muitos samaritanos creram em Jesus devido à palavra — discurso — da mulher…”
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Jo 4,41: “Então muitos mais creram nele devido à palavra dele…”
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A catequese da samaritana tem como conteúdo a vida dos samaritanos — “Ele disse-me tudo o que eu fiz” —, isto é, a história real, política e religiosa entre judeus e samaritanos.
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O conteúdo histórico é relevante em razão das velhas saudades da união das dez tribos do Norte com as duas do Sul, conforme
Jo 11,52: “E não só pela nação, mas também para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos.”
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A nível literário, é o narrador-autor que expõe os vv. 39-41, reservando ao final — v. 42 — a profissão de fé dos samaritanos.
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Alguns autores distinguem entre a catequese da samaritana e a de Jesus, pois o termo grego para palavra aparece nos discursos de ambos nos vv. 39 e 41, mas no v. 42 surge um termo diferente para designar as palavras da samaritana, indicando que ela apenas preparou o caminho para a catequese final de Jesus.
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Jo 4,42: “Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos e sabemos que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo.”
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A confissão de que Jesus é o Salvador do mundo só aparece em João aqui e em
1Jo 4,14: “Nós o contemplamos e damos testemunho de que o
Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo.”
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O título Salvador — em grego, soter — é tipicamente helênico e pouco utilizado no Novo Testamento, com ocorrências em
Lc 1,47; 2,11;
At 5,31; 13,23;
Fl 3,20;
1Tm 1,1; 4,10;
2Tm 1,10; 2,13; 3,6;
2Pd 1,1.11; 2,20; 3,18; Jd 25.
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Afirmar que Jesus é o Salvador do mundo equivale a proclamar a universalidade da salvação messiânica, que ultrapassa todas as querelas religiosas de Samaria e Jerusalém, de judeus e pagãos, conforme
Jo 3,17.