No coração da religião cristã existe, e sempre existiu, uma visão tanto de Deus quanto do Homem — designada aqui como “cristianismo perdido” — que responde a essa dupla necessidade.
O que se perdeu não são doutrinas, conceitos ou métodos de prática espiritual recuperáveis de fontes antigas — ainda que também se trate disso.
O que está perdido em toda a vida moderna, incluindo a compreensão da religião, é algo mais fundamental: a experiência de si mesmo — de mim mesmo, do ser pessoal que está aqui, agora, vivendo, respirando, ansiando por sentido e bondade.
Trata-se de confrontar com honestidade as próprias fraquezas e pretensões existenciais enquanto se permanece consciente, ainda que tentativamente, de uma corrente superior de vida e identidade que chama de dentro de si.
Essa presença a si mesmo é o elemento ausente em toda a vida do Homem — o estado intermediário de consciência entre o que somos destinados a ser e o que de fato somos.
Essa presença é, talvez, a única ponte capaz de conduzir da herança desumana do passado em direção a um futuro humano.