A orientação de terceiros pressupõe a experimentação e a assimilação integral e prévia de todos os aspectos do Ensinamento no próprio ser do instrutor.
Esse processo de assimilação constitui a definição da mística real.
A Igreja guardava a compreensão desse princípio em tempos remotos, preconizando a necessidade de uma mística perpétua e de uma experiência contínua.
A desconfiança institucional em relação aos chamados místicos provém desse critério, visto que a mística real representa o estado natural da mente humana.
Os indivíduos que vivenciam fenômenos ocasionais tendem a ridicularizar a condição humana ao tratarem tais episódios como extraordinários, quando o elemento extraordinário é apenas a raridade do acesso a esse nível.
O esquecimento da estrutura hierárquica natural pela Igreja gerou no Ocidente um sentimento de aversão e medo em relação às instâncias de autoridade.
A organização eclesiástica primitiva refletia a ordenação interna do homem e a estrutura do universo.
Essa ordenação cósmica necessitava ser experimentada no próprio indivíduo de forma ininterrupta.
A exortação bíblica para orar sem cessar determina o ato de orar no tempo presente, buscando a organização divina no próprio ser agora.
A busca pela organização divina deve ocorrer no âmbito do corpo humano, elemento apontado como ponto de partida indispensável para o início do trabalho espiritual.
Jacob
Needleman insistiu em indagar sobre o cristianismo perdido e o papel do corpo na tradição.
A mente e a atenção humanas encontram-se em um estado constante de dispersão e perda.
O texto de São
Gregório Palamas clarifica essa condição ao citar as advertências apostólicas de que o corpo é o templo do
Espírito Santo e de que Deus habita e caminha nos homens.
São
Gregório Palamas argumenta que introduzir a mente no corpo, que foi honrado como habitação divina, é um ato digno, rejeitando a tese herética de que a matéria corpórea é má ou fruto de um princípio maligno.
O mal consiste em a mente ocupar-se com os desejos da carne, e não em sua permanência no corpo físico.
A menção apostólica ao corpo de morte refere-se ao domínio dos sentidos e das paixões carnais.
O combate contra a lei do pecado visa bani-lo do corpo e instituir a mente como um bispo encarregado de legislar sobre as potências da alma e os membros corporais.
A regra espiritual prescreve a moderação para os sentidos, o amor para a parte desejosa da alma e a sobriedade para a mente através do banimento dos obstáculos que impedem a elevação a Deus.
O raciocínio humano e espiritual demonstra a obrigatoriedade de conduzir e fixar a mente no interior do corpo para os que buscam a condição de monges no homem interno.
O direcionamento dos olhos para o interior do peito auxilia o recolhimento da mente, revertendo o movimento de dispersão gerado pela fixação nos objetos externos.
A exortação de Moisés para tomar cuidado contigo visa a vigilância sobre a totalidade do ser por meio da mente, instituída como guardiã contra as paixões da alma e do corpo.
O ato de vigiar, observar, examinar e julgar a si mesmo subjuga a carne ao espírito e impede o desenvolvimento de iniquidades secretas no coração.
A descoberta da hierarquia natural do universo no próprio ser, vivenciando as condições de suplicante, padre, bispo, arcebispo e Rei Divino, integra o homem à Totalidade sagrada.
A obediência voluntária à comunidade do ensinamento ou aos anciãos da Igreja pressupõe a atração da natureza inferior pela superior.
A percepção da atenção corporal permite que os desejos instintivos obedeçam ao superior imediatamente, sem a necessidade de violência.
O ego atua bloqueando o contato entre as diversas fontes de atenção do organismo, sendo esse o aspecto que demanda destruição por meio de um trabalho complexo.
O corpo possui caráter sagrado por constituir o espaço onde se revelam a hierarquia divina e a desordem provocada pelas iniciativas do ego social.
O eu social representa uma ilusão derivada da atividade egóica.
A atuação de qualquer membro da Igreja em relação a outrem exige a consciência sobre o próprio estado interno e sobre a realidade da Criação no momento da ação.
A exigência fundamental não reside na manutenção permanente do estado de maestria e visão do coração, mas no conhecimento exato do estado em que se encontra no presente.
O desconhecimento da distância entre a capacidade real no presente e o destino espiritual elevado do homem constitui a tragédia outrora designada pelo conceito de pecado.
O autoengano do ego religioso reside em supor que as possibilidades atuais equivalem ao objetivo final do desenvolvimento humano.
É errônea a crença de que a afirmação sobre a salvação trazida por Cristo implique o estado atual de salvação do indivíduo.
A incursão sincera em níveis elevados da tradição gerará confrontos dolorosos aos pesquisadores, que devem ser advertidos sobre esse impacto.
A análise histórica sobre o declínio da Igreja costuma recorrer a marcos como a Cruzada Albigense e a conduta de Bernardo de Claraval no endosso a matanças.
O surgimento de reações institucionais e movimentos de ordenação externa decorre do excesso de fomento à experiência interna e à exploração livre da mística.
O rebatimento das indagações históricas apela para a rejeição da linearidade do tempo em favor da interação de forças.
O processo de reorganização externa observado na Igreja assemelha-se ao contra-movimento ocorrido no Tibete durante o século treze, embora o caso oriental tenha sido menos violento.
A concepção de uma atuação divina dentro da cronologia histórica constitui um símbolo da dinâmica das forças fundamentais em toda a realidade.
A interpretação literal dos fatos históricos revela-se insuficiente para decifrar o jogo de forças da época de Bernardo de Claraval.
A distinção rígida entre a leitura literal ou alegórica das escrituras possui importância secundária.
O símbolo configura-se como um registro deixado por um indivíduo de maior compreensão sobre sua experiência litúrgica e mística, com o intuito de atuar sobre a condição fragmentada da humanidade.
O Fundador selecionou símbolos específicos respaldado por compaixão e exato entendimento psicológico.
A função do símbolo reside em guiar o surgimento da força unificadora interna denominada Coração ou santo desejo.
O trabalho diante do símbolo exige quietude para observar como ele ecoa e atua no indivíduo, constituindo a base da mística perpétua realizável.
A equiparação indevida do símbolo a uma verdade literal engendra o dogmatismo e a violência religiosa, causados pelo salto impaciente da metáfora para o absoluto.
O símbolo representa a capacidade visionária do Fundador em contemplar a realidade objetiva, enquanto o homem comum de nível inferior deforma essa verdade ao tentar enquadrar a realidade nela.
A incompreensão transforma o símbolo da cruz em justificativa para a crucificação do próximo em nome do dogma.
O entusiasmo com o ensinamento pode induzir ao esquecimento de que o próprio sujeito necessita da doutrina mais do que o resto do mundo.
A observação do comportamento de acompanhantes em monumentos públicos e concertos demonstrou que estímulos culturais podem induzir estados de quietude involuntária no homem.
O sentimento de patriotismo deriva do santo desejo de servir ao superior, cujo impulso original mistura-se a energias de outra ordem e sofre distorções no ambiente social.
A tradição atua para recordar o indivíduo sobre a coexistência dos dois mundos e das duas forças internas.
Somente a gnose oferece o direcionamento necessário para o estudo das deformações do impulso sagrado na raiz do próprio ser.
O interesse contemporâneo pelo gnosticismo esbarra na impossibilidade histórica de decifrar integralmente os eventos e conflitos doutrinários dos séculos iniciais da Igreja.
Conceitos, ritos e símbolos nascem de grandes experiências e servem como guias contra o ego, mas são rapidamente instrumentalizados em novos movimentos por indivíduos de compreensão incerta.
As disputas históricas entre defensores da fé e heréticos representam combates dos quais se deve buscar distanciamento.
A transmissão do Ensinamento por um grande mestre ocorre por vias diversas e independentes da ortodoxia oficial que se estabelece posteriormente.
O Budismo exemplifica a diversificação temporal e formal do Ensinamento através da coexistência de vias voltadas para monges, reis e chefes de família.
O Buda ministrou ensinamentos para monarcas e cidadãos comuns impossibilitados de adotar o monacato estrito.
Essa vertente manifestou-se posteriormente como o tantra, cuja anterioridade cronológica em relação ao Budismo Theravada não pode ser determinada com exatidão pelos historiadores.
Os analistas históricos limitam-se ao registro dos fatos superficiais que cruzam seu campo de visão documentada.
A vitalidade do mito maniqueísta reside no nível de sentimento interno e compreensão demonstrado por seus praticantes, e não na mera formulação verbal.
A presença dos seguidores de
Mani conferia significado à linguagem utilizada por eles.
A trajetória do maniqueísmo registrou a presença de adeptos impacientes e despreparados na divulgação de suas ideias, de modo idêntico ao ocorrido na Igreja.
As leis do Ser operam independentemente das convenções vocabulares, focando unicamente na eficácia do auxílio espiritual.
O dualismo atribuído ao gnosticismo por teólogos e eruditos consistia, na realidade, em um método para discriminar direções de energia e reconhecer os princípios cósmicos envolvidos no aperfeiçoamento interno.
Nenhuma liderança séria na história defendeu a concepção simplista de duas forças absolutas em disputa.
O termo esoterismo deve ser aplicado estritamente ao estudo da energia no próprio indivíduo, alheio a formulações, rituais ou práticas sociais específicas.
A investigação sobre o desenvolvimento e a degradação da energia interna requer a expansão da força da atenção, que constitui a alma em suas gradações.
As condutas consideradas virtuosas pelo mundo social podem acobertar o desperdício das energias sagradas do homem, exigindo cautela na abordagem desse tema.
O processo de recolhimento da luz pode parecer alheio aos códigos morais convencionais, mas configura a única base para a moralidade autêntica.
A exposição desse conhecimento deve evitar formulações que estimulem imitações improvisadas, características de muitas seitas gnósticas históricas.
A decifração da história, da natureza ou do próprio indivíduo depende da capacidade interna de investigação e discriminação, sem a qual o pesquisador será ludibriado pelos fatos superficiais.
Os registros históricos dividem-se em mensagens sobre descobertas mundanas e orientações que auxiliam o indivíduo a descobrir a verdade por si mesmo, sendo a posse da segunda categoria condição para o uso correto da primeira.
As teorias, informações e imagens da realidade funcionam como telas que encobrem o fluxo de energias sutis e invisíveis no interior do homem.
A adesão ou a recusa a crenças, bem como a conduta moral ou criminosa, decorrem da ação dessas forças internas, identificadas por
São Paulo como a lei dos meus membros.
A virtude convencional configura-se como um grande obstáculo, visto que a ausência de atenção anula a possibilidade de auxílio divino ao indivíduo.
A expectativa de que a introdução das tradições orientais promova uma reforma nas práticas internas do cristianismo ocidental tende a gerar movimentos institucionais desprovidos de interesse real.
O número real de indivíduos que guardam seriedade em relação ao cristianismo é reduzido, contrastando com a estatística estatutária de um bilhão de fiéis.
A maior parte do tempo, dinheiro e energia dedicados à religião provém da parcela menor da mente, responsável pela produção de grandes fantasias coletivas.
A tecnologia moderna atua como instrumento para pesadelos e devaneios coletivos, transformando a ideia de avivamento religioso em um produto do medo e do desejo por conforto psicológico.
O conceito de consciência planetária constitui um devaneio compartilhado por meio dos recursos da ciência e dos meios eletrônicos de comunicação, servindo ao egoísmo coletivo.
Os movimentos históricos de reforma falham por se originarem da identificação isolada de um erro superficial que se tenta corrigir de forma unilateral.
A revitalização do cristianismo exige a ocupação do corpo da antiga tradição, processo análogo à ocupação do corpo do velho Adão por Cristo.
Faz-se necessária a presença de indivíduos capazes de testemunhar simultaneamente a verdade e a falsidade do cristianismo contemporâneo.
A alteração das formas é dispensável até que se testemunhe com exatidão como os rituais e ideias sofreram distorções e foram absorvidos pela linguagem da vida ordinária.
O conceito de preguiça espiritual ou acidia só adquire significado se o indivíduo estiver em deslocamento para um objetivo real, sendo irrelevante para quem se encontra estagnado na vida comum.
A distinção proposta por Soren Kierkegaard entre Cristandade e Cristianismo, indicando o que o homem fez da doutrina original, torna-se secundária em uma época de separação entre política e religião.
O estado atual da tradição apresenta-se fragmentado, limitando o conhecimento prático ao cristianismo partido.
O ato de confrontar a distância entre as ideias elevadas e a situação real gera o estado de presença, cujo desvio para impulsos imediatos de correção externa desativa a conexão com o
Espírito Santo.
O desejo involuntário de corrigir as assimetrias externas originou o Protestantismo, fenômeno que já operava no interior da Igreja antes das reformas históricas.
O apego ao ensinamento e aos métodos que trouxeram auxílio no passado caracteriza o egoísmo espiritual, que isola as ideias da totalidade da experiência.
A compreensão real exige o reconhecimento de que os elementos julgados negativamente foram indispensáveis para o desenvolvimento do entendimento atual.
A guarda do valor do caminho precede a capacidade de zelar por qualquer outra instância da realidade.
A configuração atual da tradição resulta de sucessivas tentativas históricas de aperfeiçoamento, eliminação ou assimilação de reformas e contra-reformas.
A atividade intelectual representa um estágio inicial de contato com a força reconciliadora da Terceira Pessoa da Santíssima
Trindade através do esforço de pensamento entre níveis distintos.
O pensamento origina-se no ato do ver, mas costuma degenerar em escravidão aos mecanismos de conceituação conceitual.
As conceituações constituem registros neurológicos de momentos de visão, utilizados como instrumentos do espírito no mundo inferior.
O homem incorre no erro de tentar imitar a atividade espiritual por meio desses resíduos neurais, esquecendo que apenas o espírito realiza sua própria obra.
O pensamento real manifesta-se em múltiplos níveis, configurando um pensar esotérico que conduz a energia de harmonização entre as instâncias da alma.
Os termos consciência e autopercepção sofreram o mesmo processo de esvaziamento sofrido pelas palavras mente e pensamento, que originalmente designavam a ação do
Espírito Santo na estrutura humana.
A reconstrução do ensinamento depende de indivíduos capazes de ocupar o próprio ser, constituindo o corpo sutil da Igreja através da recusa em ceder às reações automáticas de atração e repulsa.
O início do processo exige a renúncia ao domínio das reações egóicas de agrado e desagrado para alcançar um pensamento independente do desejo.
A obtenção da capacidade de autoperdão é pressuposto para a entrada do poder de perdão na própria Cristandade, sendo o perdão a visão que carrega a força de reconciliação.
A eficácia das operações metafísicas, da filosofia real e da magia fundamenta-se no fenômeno da ressonância, exigindo precisão de palavras, tempo e lugar para a captação das forças superiores.
A sensibilidade às leis de ressonância além dos sentidos demanda grande inteligência na petição ou um estado emocional purificado.
O sofrimento corporal puro, isento de contaminações das emoções pessoais, atua como via de acesso a essas leis.
O cristianismo autêntico deve integrar a dimensão mágica, e a magia deve manter-se cristã.
O cristianismo evidencia a desolação humana apartada de Deus, enquanto a magia produz efeitos físicos decorrentes do sacrifício das ilusões espirituais.
O cristianismo esvazia o indivíduo, e a magia fornece a capacidade de ação a partir do centro vital do ser criado à imagem do Criador.
A ausência da dimensão mágica no cristianismo afasta o homem da natureza e das sensações físicas que dão suporte à esperança e ao amor, resultando na perda do senso de admiração diante do fluxo das energias internas.
O esvaziamento da magia impede o indivíduo de experimentar o sabor real da verdade de sua insignificância sob Deus, levando-o a projetar o rigor da doutrina sobre as fraquezas do vizinho.
O autoconhecimento gerado pela percepção das forças internas constitui a base para a compaixão real, o saber sobre o outro e o senso de justiça.
A postulação da justiça sem a vivência dessas forças internas redunda no incremento da violência e do ódio social.
Os resultados espirituais legítimos diferem das meras reorganizações psíquicas buscadas pelo autoaperfeiçoamento moderno, classificadas como poeira pela
Bíblia e como samsara pelo budismo.
A prática da magia desprovida do fundamento religioso submete o homem à influência de forças terrenas que utilizam a energia emocional humana como combustível.
Essas forças eram denominadas demônios na antiguidade, conceito cujo sentido atual foi reduzido a interpretações infantis.
O universo configura-se como a criação da Mente Divina que se divide e descende em forma e substância.
A transição da energia psíquica para a mecânica no corpo humano exemplifica a lei de descensão biológica que atua do psíquico para o material.
A energia fundamental transmitida aos músculos divide-se em instintiva, comum à espécie, e emocional, característica dos seres sencientes.
A estrutura da vida é mantida pela expressão da energia emocional, canal utilizado para as operações da magia.
O controle da energia emocional constitui o segredo da magia, cuja manipulação pelo mago sombrio evoca agitação mental para anular o poder da atenção consciente e tornar o indivíduo vulnerável à sugestão externa.
Na agitação emocional, a atenção específica do homem é absorvida pelas associações de pensamento e pela paixão imediata de agir.
A vida moderna caracteriza-se pelo cruzamento de sugestões fragmentadas provenientes de múltiplas fontes sociais.
O cristianismo opera com a energia espiritual, diferenciada das forças mecânicas e psíquicas, transformando-se em Cristandade quando passa a orbitar os níveis energéticos inferiores.
A sensibilidade às qualidades da energia atua como único critério para aferir a autenticidade das práticas cristãs.
O esoterismo no núcleo da revelação constitui a disciplina que faculta a aquisição dessa sensibilidade no ser total, definindo a unidade real das religiões.
As tentativas de estabelecer aproximações conceituais externas entre as tradições configuram um falso ecumenismo.
A repetição mecânica das formas de bondade terrena além de seu período de vitalidade espiritual converte o cristianismo em Cristandade, caracterizando a vigência da magia sem religião.
O despertar da emoção espiritual ocorre por meio do sacrifício do apego aos próprios resultados do espírito no momento em que eles se manifestam.
O sacrifício promove a separação das energias do ego e promove sua elevação e conexão com a Árvore da Vida.
A união com Deus é gerada por essa dinâmica de sacrifício, sem a qual o ascetismo e a indulgência revelam-se condutas igualmente desumanas.
As orações contemporâneas carecem de poder e ressonância por não atingirem a dimensão divina.
O Budismo ensina que a transição para a postura Mahayana de trabalho pelo outro exige a vivência prévia da postura Hinayana de libertação do próprio sujeito.
O debate histórico entre as escolas Hinayana e Mahayana divide os homens superiores entre os que atingiram a liberdade interna e os que servem à coletividade.
O autêntico trabalho pela própria libertação equivale ao trabalho pela libertação alheia.
O dever primeiro direciona-se ao próprio ser para que se torne viável o amor ao próximo.
A manifestação da inteligência real e do amor ao Bem depende da imposição da quietude interna sobre as reações emocionais automáticas, conforme preconizado por Isaías, Sócrates e pelos céticos antigos.
A exortação de Isaías determina aquietar-se para o conhecimento da divindade.
Sócrates ensinou a necessidade de silêncio interno para a emersão do poder da inteligência que coordena as partes da natureza humana.
Os céticos antigos prescreviam a separação do sentido do eu em relação aos pensamentos lógicos para atingir o vazio de onde fala a certeza inominável.
A imposição de mandamentos de serviço ao outro sem a superação do egoísmo individual gera neuroses ou estados de autojustificação fundamentados em ideais abstratos.
O direcionamento da busca para a libertação pessoal significa a procura pelo contato com Deus no próprio ser.
A religião estrita elimina as ilusões de serviço que buscam apenas a autojustificação emocional, voltando o indivíduo para si mesmo.
O orientador espiritual atua para conduzir o sujeito ao limite de suas forças, espaço onde se viabiliza o contato real com a divindade.
A função do guia consiste em ensinar as leis que operam no esgotamento das capacidades ordinárias e orientar o estudo dos poderes que emergem desse estado para evitar o autoengano.
O cristianismo necessita resgatar a dimensão do veículo menor para evitar o desequilíbrio gerado pelas exigências do veículo maior sem o suporte da energia necessária.
As tradições orientais fornecem metáforas vivas indispensáveis para a investigação interna atual.
O amor ao próximo demanda uma energia que impeça a absorção do sujeito pelas reações emocionais diante do outro, força que depende do combate interno revelado.
As revelações divinas explicitam o método de busca e combate, e não a exposição de resultados finais.
A difusão isolada de doutrinas elevadas como o Brahman-Atman hindu induz à falsa crença de que é viável iniciar o caminho a partir do estado mais alto de consciência.
O cristianismo incorreu no mesmo erro ao difundir conceitos de graça e salvação como se o homem pudesse partir do nível mais elevado da vontade.
A utilização produtiva das grandes tradições espalhadas no mundo contemporâneo pode realizar-se por meio das leis de ressonância, assumindo-as como roteiros de atuação para o homem consciente.
O indivíduo desprovido dessa consciência deve atuar como um ator que encena o papel de homens e mulheres aperfeiçoados.
O exercício exige manter metade da atenção voltada internamente para o fracasso em corresponder à persona encenada.
A conduta externa deve pautar-se pela virtude, enquanto o olhar interno estuda os detalhes da própria falibilidade.
O ensino inadequado desses roteiros espirituais às crianças gera infecção por medo e culpa, rebaixando os ideais mais altos ao nível de terapia psiquiátrica comercial.
A memorização dos roteiros deve ocorrer na infância, livre do contágio da culpa coletiva.
A civilização contemporânea reduziu o cristianismo aos parâmetros da psiquiatria.
O aprendizado das leis de ressonância requer o recolhimento em estados quietos de ser, finalidade primordial da prática da meditação sentada.
O silenciamento corporal e o fechamento dos olhos propiciam a aquisição das ferramentas para o estudo da ressonância.
A atenção atua como ponte de transmissão para que o Cristo real substitua gradualmente a imitação do Cristo construída pelo indivíduo.
A meditação deve conduzir o sujeito de forma ordenada segundo a lógica espiritual, diferenciada da lógica mental e discursiva.
A purificação da intenção realiza-se no combate pelo próprio ser, ativando a lei de ressonância somente quando o indivíduo é abalado pela constatação de que seus apelos a Deus partem do ego.
O clamor a um Deus externo deve ser acompanhado pela indagação interna sobre a identidade de quem clama.
A recepção da verdade sobre o ego através de um corpo quieto viabiliza a operação da dinâmica espiritual real.