Os episódios “foram cumpridos sensivelmente” e os preceitos “devem ser ou foram observados segundo a letra”.
O aspecto sensível, literal e histórico é sempre necessário conhecer — por seu estudo convém começar, pois ele serve normalmente de base à inteligência espiritual.
Considerações geográficas ou topográficas podem estabelecê-lo — como no caso dos poços dos patriarcas: “Que esses santos homens cavaram poços na terra dos filisteus, como a Gênese nos assegura, é provado pelos poços admiráveis ainda mostrados na cidade de Ascalão, que merecem ser vistos pela singularidade de sua estrutura, diferente de todos os outros.”
Certas explicações simples “têm sua graça” — a letra da Escritura é frequentemente útil e edificante por si mesma.
Os preceitos da Lei confirmados pelos do
Evangelho exemplificam isso, assim como a história de José: “Não penso que nem mesmo Momo, por assim dizer, pudesse encontrar o que criticar nesse evento, que nos fornece grande quantidade de belas lições, mesmo sem ir até a alegoria.”
A história de Débora, cuja “prima ipsius litterae facies” — primeira face da própria letra — pode trazer consolação ao sexo frágil antes mesmo de se examinar “quid etiam interioris intelligentiae respiret arcanum” — o que o arcano da inteligência interior exala.
A homilia sobre o sacrifício de Abraão, que nutriu gerações de exegetas e espirituais, concentra-se no trágico conflito entre o amor paternal e o dever de obediência a Deus — apenas um breve parágrafo esboça ao final a significação de Isaac e do carneiro como figuras do Cordeiro de Deus.
“Que o texto da história nos edifique primeiro” — somente depois de exposto o sentido histórico se perguntará qual o sentido mais interior nele oculto e qual “alegoria” convém dele extrair.
Comenta-se “spiritualiter” apenas depois de ter explicado “simpliciter” — guarda-se cautela diante da tendência de negligenciar a letra de certos preceitos para ascender imediatamente à alegoria ou escapar pela tropologia, pois tal espiritualismo não é de boa qualidade.