Desenvolvimento mais explícito das três vias clássicas:
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Via purgativa (estrofes 1-4), para os principiantes.
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Via iluminativa ou contemplativa (estrofes 5-13), para os progredientes, culminando com a celebração dos esponsais (estrofe 13).
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Via unitiva (a partir da estrofe 14), para os perfeitos, descrita retrospectivamente na estrofe 22.
Aspiração escatológica mais marcada: novas considerações sobre o estado beatífico a partir da estrofe 36, ampliando o horizonte da experiência mística.
Exemplo de divergência interpretativa pontual: na estrofe 38, o outro dia é interpretado como o dia da eternidade de Deus e da predestinação à glória (Cântico B), enquanto no Cântico A se referia ao estado de justiça original em Adão ou ao dia do batismo.
Riqueza de novas citações bíblicas, especialmente do Apocalipse (sete citações na estrofe 38), que dilatam infinitamente o horizonte de Deus e evocam a realidade inefável vivida pela alma perseverante.
Valor e significado do
Cântico B no conjunto da obra sanjoanista.
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Não há contradição fundamental com o Cântico A, mas um desejo de canalizar o lirismo espontâneo da primeira redação para conferir à obra um aspecto mais de tratado, semelhante à Subida e à Noite.
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O Cântico B representa um amadurecimento do pensamento do autor, mais lógico, pedagógico e teologicamente estruturado.
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Todos os acréscimos e desenvolvimentos têm seus antecedentes nos escritos anteriores de João da Cruz (ex.: temas do demônio na Subida, do céu na Chama Viva).
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A obra é um maravilhoso legado da nossa tradição ocidental que permite entrar mais profundamente no pensamento de João da Cruz, sendo de particular valor para a multidão dos famintos em busca da árvore da vida.