Le guide des égarés ; [suivi du] Traité des huit chapitres. Nouvelle édition. ed. Lagrasse: Verdier, 1983.
CARTA DO AUTOR A SEU ALUNO, R. JOSEF IBN YEHOUDA
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A instrução do discípulo Rabbi Josef, filho de Rabbi Yehouda, por um mestre foi motivada pela paixão demonstrada pelo estudante em relação às matérias especulativas e pela produção de composições poéticas e literárias vindas de Alexandria.
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O mestre nutria grande estima pelo discípulo.
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As poesias revelavam amor pelas coisas especulativas.
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O mestre avaliou inicialmente se o desejo de aprender superava a compreensão real do estudante.
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O avanço nos estudos sob orientação direta confirmou a excelência mental e a agilidade intelectual do aluno durante o aprendizado preparatório das ciências matemáticas e da astronomia.
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O aprendizado subsequente da lógica habilitou o estudante a ingressar na decifração dos segredos contidos nos textos proféticos, por meio de breves indicações e estímulos iniciais fornecidos pelo preceptor.
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A busca sôfrega do aluno por esclarecimentos metafísicos e pelo entendimento das demonstrações dos Motécallemîn gerou perturbações internas na alma, a despeito das recomendações de prudência e ordenação metodológica emitidas pelo orientador.
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O estudante demandava mais ensinamentos e insistia por temas de metafísica.
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Os Motécallemîn constituem os filósofos religiosos ou escolásticos dos árabes.
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Questionava — se se os métodos desses pensadores baseavam — se na demonstração ou em outra arte.
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O aluno já havia feito leituras prévias da matéria sob o comando de outros mestres.
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A busca rigorosa fundamentava — se na diretriz de Eclesiastes para achar o objeto do desejo.
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O instrutor visava o estabelecimento metódico da verdade para evitar certezas acidentais.
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A separação física decretada por vontade divina impeliu o mestre a redigir um tratado sistemático em capítulos avulsos, dando continuidade às antigas explicações orais de versículos e textos dos doutores.
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O preceptor prestava esclarecimentos sobre temas curiosos trazidos pelos textos enquanto o aluno estava presente.
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A ausência estimulou a retomada de uma resolução anterior que havia enfraquecido.
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O livro foi direcionado ao aluno e a indivíduos semelhantes de número restrito.
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O envio dos capítulos escritos ocorreria de forma sucessiva para o local de morada do discípulo.
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Votos de boa saúde encerram a comunicação.
OBSERVAÇÕES INTRODUTÓRIAS
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O apelo ao direcionamento espiritual e à recepção da ciência dos sábios serve de introdução aos propósitos reguladores da obra.
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Invoca — se o versículo do Salmo para conhecer o caminho a seguir com a elevação da alma.
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O chamado de Provérbios dirige — se aos homens e aos filhos de Adão.
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Recomenda — se aplicar o coração e os ouvidos às palavras dos sábios e à ciência exposta.
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O escopo primordial do tratado consiste em decifrar a semântica de nomes homônimos, metáforas e termos anfibológicos presentes nas escrituras proféticas, frequentemente interpretados de forma equivocada pela população sem instrução.
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Os ignorantes confundem as acepções dos homônimos.
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As metáforas são tomadas erroneamente pelo sentido primitivo de origem.
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Os vocábulos anfibólicos oscilam na percepção vulgar entre nomes apelativos e homônimos.
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O obra não se destina ao ensinamento do público comum, dos iniciantes ou daqueles dedicados exclusivamente à interpretação tradicional da Lei.
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O verdadeiro foco do livro reside em orientar o homem religioso e instruído na filosofia que se vê imerso em sofrimento e contradição face ao sentido literal antropomórfico das escrituras.
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O destinatário possui a verdade da Lei enraizada na alma como objeto de crença.
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O sujeito demonstra perfeição na religião e nos costumes morais.
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O indivíduo domina as ciências dos filósofos sob o guia da razão humana.
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O impasse decorre do choque entre a lógica racional e o entendimento exterior de homônimos, metáforas ou anfibologias.
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A hesitação gera opressão, inquietação e agitação interior violenta.
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O dilema existencial do pensador divide — se entre a rejeição dos fundamentos da Lei pela via racionalista pura ou a negação da própria razão em favor de visões imaginárias.
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Seguir a razão em detrimento dos nomes aprendidos gera o temor de subverter as bases religiosas.
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Abandonar a razão em favor do sentido literal acarreta a percepção de perda e dano intelectual na religião.
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O segundo propósito do livro assenta na elucidação de alegorias proféticas obscuras que os desavisados interpretam unicamente na superfície material, ignorando a existência de um miolo esotérico.
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O aviso sobre a natureza alegórica dos textos funciona como instrumento de libertação e alívio para o transe intelectual do investigador instruído.
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A titulação do livro como Dalálat al — 'Hâyirîn justifica — se pela meta de mitigar a maioria das grandes obscuridades conceituais, sem a pretensão de esgotar todos os pormenores em um texto escrito.
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O tradução do título corresponde ao Guia dos Indecisos ou Extraviados.
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O livro promete afastar as dúvidas mais graves e prementes.
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A exaustão completa de uma alegoria é impossível de ser vazada em livro sem expor o autor à hostilidade dos pretensos cientistas ignorantes.
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Os ignorantes lançariam as flechas da própria tolice contra o escritor.
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Obras talmúdicas anteriores do mesmo autor já haviam fixado as equivalências entre o Ma'asé beréchîth e a ciência física, e entre o Ma'asé mercabâ e a ciência metafísica, sob a regra de restrição na transmissão desses saberes.
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O Ma'asé beréchîth equivale ao relato da criação.
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O Ma'asé mercabâ designa o relato do carro celeste.
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Conforme o tratado Hagigá 11b, a mercabâ não deve ser interpretada nem mesmo para um único aluno, salvo se for sábio e capaz de compreender por si, transmitindo — se apenas os rudimentos.
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A dispersão intencional dos primeiros elementos ao longo dos capítulos obedece ao desígnio divino de ocultação das verdades transcendentais sobre a divindade perante a massa.
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O leitor não deve exigir mais do que as noções elementares básicas.
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Os princípios não se encontram ordenados de forma seguida no tratado.
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As verdades aparecem e se ocultam de forma intermitente para não contrariar o plano do Criador.
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O Salmo chancela que o segredo do Eterno é reservado aos que o temem.
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Os mistérios da física e da cosmologia também demandam ocultação por meio de parábolas e enigmas, dada a conexão estreita que guardam com as verdades da metafísica.
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Os princípios físicos reais não podem ser ensinados com clareza total.
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Os doutores proíbem a interpretação do Ma'asé beréchîth diante de duas pessoas simultaneamente.
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Escrever claramente em um livro equivaleria a pregar para milhares de indivíduos.
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Os profetas e doutores seguiram a trilha das escrituras sagradas ao usarem enigmas.
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Nenhum homem domina a totalidade da extensão desses mistérios profundos.
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A percepção humana da verdade é essencialmente descontínua, manifestando — se como clarões breves de relâmpagos no meio de uma escuridão densa gerada pelas coisas corporais e cotidianas.
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O verdade ora brilha como o dia, ora some sob o manto material.
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O estado habitual do homem assemelha — se ao esquecimento e à noite profunda.
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O brilho oscilante é comparado ao fulgor da espada que gira na Gênese.
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Os graus de perfeição humana flutuam de acordo com a frequência dos lampejos intelectuais obtidos, situando — se o maior escalão profético na iluminação perene concedida a Moise.
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O patamar supremo confere luz contínua que apaga a noite, destino do maior dos profetas.
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A ordem de Deuteronômio comandou a Moise que ficasse junto a Deus e o seu rosto resplandecia.
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Outros indivíduos recebem um único relâmpago na noite, como aqueles listados em Números que profetizaram apenas uma vez e cessaram.
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Certos homens experimentam intervalos longos ou curtos entre as iluminações.
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Há os que não atingem o relâmpago, recebendo luz indireta refletida por pedras preciosas ou corpos polidos.
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O massa comum dos homens, inteiramente alheia ao vislumbre da luz e habitante voluntária das trevas da ignorância, é deliberadamente excluída do escopo de análise do tratado.
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O Salmo qualifica a massa como aqueles que caminham nas trevas sem compreender nada.
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O livro de Jó descreve — os como os que não enxergam a luz brilhante dos céus.
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Não há utilidade em fazer menção a esse estrato populacional na obra.
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A natureza esquiva dos mistérios metafísicos impede que o sábio ordene ou exponha suas compreensões de modo linear e didático, forçando o uso recorrente de múltiplas alegorias e misturas conceituais.
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O sábio repete em seu ensino a mesma descontinuidade vivida em seu estudo pessoal.
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A ideia reluz e some por força da própria natureza do objeto.
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Teólogos e metafísicos amigos da verdade multiplicaram parábolas de diversos gêneros.
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As técnicas de ocultação utilizadas pelos antigos sábios incluíam a fragmentação de um único tema em parábolas distantes ou o emprego de uma mesma imagem para acobertar assuntos díspares.
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O sentido pode estar no início, no meio ou no fim da narrativa.
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Raras são as imagens que cobrem perfeitamente o assunto do começo ao fim.
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Um assunto unificado era repartido em alegorias apartadas.
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A mudança de assunto no curso de uma mesma alegoria aumenta a obscuridade.
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Uma parábola inteira pode servir a dois temas análogos.
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O ensino direto e sem parábola vinha revestido de brevidade e obscuridade artificiais.
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Os sábios agiam nesse mister impulsionados pela vontade divina e por disposições físicas.
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A ordem de distribuição dos livros sagrados reflete a propedêutica das ciências, situando o relato da criação física no pórtico da Revelação como base necessária para o posterior ingresso na metafísica.
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O aperfeiçoamento social e prático pelas leis pressupõe dogmas racionais prévios.
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Compreender a divindade exige a metafísica, que por sua vez demanda a física antecedente.
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A ciência física é limítrofe e antecede o aprendizado da metafísica.
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Deus postou o relato físico no começo do livro sagrado por essa razão pedagógica.
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A fraqueza da mente humana em face das grandezas divinas justifica o manto enigmático do texto bíblico e o recurso aos termos homônimos, capazes de alimentar tanto o homem comum quanto o perfeito filósofo.
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O Midrach Iemenita consigna que expor a potência da criação a mortais é impossível, justificando a escrita obscura de Gênese.
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Salomão atesta em Eclesiastes que o existente é profundo e distante da concepção.
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O homônimo ampara o vulgo na medida de sua fraqueza e serve ao instruído em outro patamar conceitual.
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O projeto original de redação de dois livros complementares devotados à profecia e à harmonia das lendas talmúdicas foi abandonado pelo autor devido ao risco de mera substituição de enigmas e revelação inadequada de segredos ao vulgo.
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O Livro da Profecia e o Livro da Harmonia foram prometidos no comentário da Michnâ.
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O livro da harmonia pretendia explicar as incongruências das Derachoth face à verdade racional.
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As Derachoth compreendem as interpretações alegóricas e lendas dos Midrachim e Haggadoth do Talmud.
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O método de explicar por novas alegorias pareceu ao autor uma troca inócua de indivíduos da mesma espécie.
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Desvendar o miolo racional das profecias e Derachoth não seria conveniente para o povo comum.
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A atividade dos leitores frente às Derachoth varia de acordo com o nível intelectual, dividindo — se entre a aceitação passiva dos ignorantes e a busca esotérica operada pelos homens distintos.
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O rabino vulgar e ignorante aceita o impossível sem sobressaltos devido à cegueira sobre a natureza do Ser.
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O homem perfeito que lê o sentido literal pode julgar mal o autor, sem que isso destrua a fé.
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A busca por um sentido esotérico preserva a boa opinião sobre o antigo escritor.
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O sumário abreviado das verdadeiras fundamentações da fé foi incorporado na obra jurídica Michné Torâ, transferindo — se para o presente tratado a tarefa de guiar o filósofo religioso em suas dúvidas metafísicas.
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Desistiu — se da composição dos dois tratados originais nos moldes primitivos.
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O Michné Torâ concentra as bases da fé de forma breve e próxima da exposição clara.
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O presente tratado foca no estudante de filosofia cujas convicções são abaladas por homônimos e alegorias.
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A variedade de conteúdos dos capítulos abrange preparações linguísticas, alertas sobre o caráter parabólico de certos temas e a correção de erros gerados pela confusão entre a imagem e a realidade representada.
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Alguns capítulos não tratarão de homônimos diretamente, mas prepararão o terreno para outros.
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Certas seções desfazem a inversão errônea entre o símbolo e o objeto simbolizado.
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A decifração das chaves interpretativas das alegorias constitui a ferramenta indispensável para atingir o conhecimento real das mensagens transmitidas pelos profetas.
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O testemunho dos próprios profetas e os escritos de Salomon corroboram a centralidade do uso de parábolas e enigmas na transmissão do conhecimento divino.
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O Altíssimo afirma em Oseias que faz similitudes por intermédio dos profetas.
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Ezequiel ordena a proposição de enigmas e parábolas.
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O uso frequente gerou a queixa do profeta de que o povo o chamava de fazedor de alegorias.
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Salomão abre os Provérbios indicando a meta de compreender a alegoria, as enigmas e as palavras dos sábios.
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O Midrach compara o estado da Torah anterior à intervenção exegética de Salomão a um poço profundo inacessível, cujas águas só puderam ser bebidas após a emenda de cordas e parábolas sucessivas.
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Os homens de bom senso não devem supor que as profundezas da Torah mencionadas refiram — se a regras práticas ordinárias.
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Os preceitos sobre cabanas rituais, ramos de palmeira ou o direito dos quatro guardiões não são o alvo da analogia do poço.
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O foco do Midrach liga — se exclusivamente à inteligência das realidades profundas.
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A parábola em si mesma possui valor instrumental nulo, assemelhando — se a uma mecha barata que se acende unicamente com o propósito de localizar uma pérola valiosa perdida na escuridão da casa.
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Os rabinos ilustram que uma moeda gasta em iluminação serve para achar o siclo ou a pérola na residência.
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O interior das palavras da Torah é a pérola preciosa, ao passo que a casca externa da alegoria nada vale por si.
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A habitação escura e atulhada de móveis representa a dificuldade de visualização da verdade existente.
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A lâmpada acesa faculta o proveito e o resgate do bem precioso.
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A inteligência da alegoria desempenha o papel dessa iluminação doméstica.
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O provérbio de Salomão sobre as maçãs de ouro envoltas em redes de prata ilustra a proporção ideal da alegoria, cujo exterior deve ser útil e belo, mas cujo interior deve primar por uma preciosidade ainda maior.
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O versículo menciona maçãs de ouro em Maskiyyôth de prata para definir a palavra dita em suas diferentes faces.
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Maskiyyôth designa cinzeladuras reticulares com aberturas de malhas finas feitas por ourives.
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A etimologia caldaica we — istekhi vincula o termo ao ato de olhar através da abertura.
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O exterior de prata equivale ao sentido literal, enquanto o interior de ouro representa a verdade esotérica.
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A malha fina deve permitir que o observador atento vislumbre o ouro escondido sob a prata.
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O exame descuidado ou distante da parábola projeta a falsa impressão de uma superfície homogênea de prata, revelando — se o ouro interior apenas ao olhar penetrante do investigador.
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A utilidade dupla das alegorias proferidas pelos profetas atende à melhoria da governança social em sua face externa e à fixação das crenças verdadeiras em seu miolo interno.
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A alegorias proféticas subdividem — se em duas modalidades: aquelas em que cada palavra isolada porta um significado oculto específico e aquelas em que apenas o arranjo geral possui correspondência com o tema central.
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A segunda espécie utiliza termos adicionais para adorno, simetria e ocultamento do assunto.
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O discurso mantém — se coerente com a lógica externa da narrativa na segunda categoria.
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A visão da escada de Jacob em Gênese ilustra a primeira categoria de alegorias, visto que cada detalhe textual adiciona um elemento determinado à soma do sentido profético.
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O termo escada indica um assunto próprio.
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O posicionamento na terra, o topo no céu e os anjos de Deus aportam sentidos particulares separados.
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Os movimentos de subida, descida e a postura do Eterno no topo complementam os sete dados individuais da visão.
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O alerta de Salomão em Provérbios contra a sedução da cortesã casada exemplifica a segunda categoria de alegorias, figurando o longo relato descritivo apenas como adorno para a condenação das paixões animais e da matéria.
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A narrativa descreve o jovem sem inteligência cruzando a praça no crepúsculo em divisão com a casa da mulher.
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A figura feminina apresenta — se em trajes de cortesã e com o coração repleto de artimanhas.
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Os detalhes sobre sacrifícios de paz, tapetes, perfumes na cama e a ausência do marido com a bolsa de dinheiro são listados no texto.
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A totalidade do discurso visa desestimular o seguimento dos prazeres do corpo.
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A matéria corporal, geradora dos vícios e impeditiva da perfeição, é comparada à cortesã infiel.
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A matéria imediata humana é idêntica àquela que constitui os demais animais.
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O desfecho dos Provérbios com o elogio da esposa fiel espelha simetricamente a condenação inicial da matéria ao exaltar a alma focada no bom governo da casa e na elevação do cônjuge.
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A tentativa de extrair sentidos esotéricos individuais de cada detalhe ornamental de uma alegoria de segunda classe constitui um erro metodológico grave que desvia o foco do tema central.
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Detalhes sobre promessas cumpridas ou camas enfeitadas são meros adornos externos da cena de adultério.
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O leitor não deve buscar equivalentes reais para cada frase descritiva acessória.
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A insistência impõe a tarefa espúria de interpretar o que não foi feito para sê-lo.
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A obsessão escolar contemporânea em fixar sentidos arbitrários em termos secundários irrelevantes é classificada como uma grande tolice literária.
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O discernimento básico sobre o caráter parabólico de uma passagem basta para desobstruir a visão do investigador e aproximá-lo da apreensão do objeto real.
RECOMENDAÇÃO SOBRE ESTE TRATADO
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A apreensão integral das verdades depositadas na obra exige a leitura cruzada e correlacionada de todos os capítulos, prestando — se estrita atenção a cada vocábulo empregado na progressão do texto.
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O rigor construtivo do tratado exclui a presença de afirmações casuais ou aleatórias, justificando — se os deslocamentos tópicos pontuais pela necessidade de preparar explicações em locais adequados.
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A abordagem da obra por meio de preconceitos ou opiniões preconcebidas é prejudicial ao leitor e injusta com o esforço do escritor.
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Conjura — se solenemente os leitores a não comentarem ou desvelarem os conteúdos inéditos do tratado a terceiros, exceto naquilo que já constar da lavra de doutores célebres do passado.
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A pressa na formulação de refutações críticas ao texto é desaconselhada devido ao risco de má interpretação das intenções reais do autor, gerando o pagamento do bem com o mal.
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A colheita de uma única solução para as obscuridades da Lei basta para exigir do estudante o agradecimento a Deus e a resignação intelectual.
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O desinteresse completo pelos frutos do livro ou a impressão de prejuízo doutrinário devem ser respondidos pelo esquecimento da obra ou pelo julgamento favorável das intenções do sábio.
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O aproveitamento dos conteúdos do tratado varia segundo o nível do leitor, sendo parcial para os iniciantes e integralmente jubiloso para os sábios perfeitos perturbados pelas alegorias.
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Os indivíduos de mente confusa e apegados a métodos falsificados de erudição experimentarão repulsa e aversão ante os capítulos, face à revelação da falsidade de suas moedas intelectuais.
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Os pretensos sábios especulativos nada conhecem da ciência real.
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A rejeição nasce da incapacidade de apreensão do sentido.
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O livro expõe o caráter espúrio do tesouro que esses homens guardavam para a sua velhice.
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O temor em verter mistérios esotéricos em formato de livro escrito durante o período do cativeiro foi superado pelo amparo em princípios rabínicos que autorizam a ação em prol de Deus e do céu.
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O autor confessa grande temor em registrar os segredos no papel.
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Inexistiam livros dessa natureza compostos por correligionários no cativeiro cujas obras restaram guardadas.
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O Salmo 119, no entendimento rabínico, permite a transgressão secundária da Lei quando é chegado o momento de agir por Deus para salvar o edifício religioso.
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A máxima rabínica ordena que todas as obras sejam feitas em nome do céu.
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A preferência em salvar e iluminar um único homem distinto em detrimento do agrado de dez mil ignorantes justifica a franqueza e o enfrentamento do clamor da multidão vulgar.
OBSERVAÇÃO PRELIMINAR
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As origens das contradições e oposições textuais verificáveis em livros e escritos de qualquer natureza reduzem — se ao número fixo de sete causas determinantes.
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A primeira causa decorre da compilação de opiniões pertencentes a autores diversos sem a devida menção às autoridades originais de cada frase.
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A segunda causa manifesta — se na mudança posterior de opinião por parte de um mesmo autor, cujos registros antigo e novo acabam fundidos em um mesmo volume por coletores.
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A terceira causa repousa no uso coexistente de linguagem literal e de linguagem figurada, gerando oposição aparente quando duas imagens alegóricas são lidas na superfície.
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A quarta causa provém da omissão pontual de uma condição reguladora ou da alteração oculta do assunto tratado em duas passagens vizinhas.
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A quinta causa resulta da necessidade pedagógica de adotar premissas imprecisas ou grosseiras para facilitar a apreensão inicial de um tema complexo por parte do estudante.
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O instrutor começa pelo mais simples para pavimentar o caminho.
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O tema obscuro é deixado provisoriamente ao sabor da imaginação do ouvinte.
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A realidade exata do conceito é desvelada apenas no momento oportuno posterior.
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A sexta causa advém do obscurecimento de uma contradição que se encontra aninhada ao término de uma longa cadeia de premissas e silogismos, escapando à percepção do próprio escritor.
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O acúmulo de premissas esconde o choque lógico do autor.
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A junção de premissas verdadeiras a conclusões intermediárias revela a oposição somente no final da série.
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Erros dessa estirpe acometem escritores de grande gabarito científico.
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O esquecimento flagrante de teses opostas em páginas próximas denota inferioridade intelectual indigna de atenção.
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A sétima causa impõe — se pela necessidade intrínseca de ocultar e revelar alternadamente as frações de uma verdade metafísica extremamente profunda perante os diferentes públicos.
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O escritor vê — se compelido a firmar teses opostas em locais distintos do livro.
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O povo comum não deve perceber os pontos de fratura e contradição do discurso.
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O autor utiliza expedientes diversos para encobrir a oposição lógica.
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As oposições verificáveis na Michnâ e nas Baraïthôth derivam exclusivamente da primeira causa, resolvendo — se o impasse no Talmud pela atribuição das frases a doutores distintos.
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O Talmud responde às contradições separando o início e o fim do capítulo entre autoridades separadas.
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Registra — se que o Editor validou opiniões anônimas de diferentes doutores em casos apartados.
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A busca pela autoria de asserções anônimas é uma constante com exemplos inumeráveis.
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As divergências textuais internas da Guemarâ e do Talmud brotam da ação conjunta da primeira e da segunda causa produtora de contradições.
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Os debates indicam a adoção de rumos teóricos de mestres distintos para casos diferentes.
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Aponta — se a divisão entre dois Amoreus acerca do verdadeiro pensamento de um doutor anterior.
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Os talmudistas registram as ocasiões em que Râb ou Rabâ abandonaram antigas convicções.
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Discute — se qual texto representa a última redação de Rabbi Aché em detrimento da primeira versão.
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As contradições aparentes na superfície dos livros proféticos são fruto da terceira e da quarta causa, operando os doutores a reconciliação pela explicitação de condições ocultas.
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O esclarecimento dessas oposições literais proféticas era o alvo principal da nota preliminar.
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Os doutores costumam contrastar dois textos divergentes para em seguida sanar o conflito.
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Aponta — se que a oposição decorre de temas diferentes ou fatores omitidos na escrita.
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Os debates dos doutores sobre as contradições internas de Salomão ou entre este e seu pai focavam majoritariamente em temas de ordem moral ou relativos aos preceitos práticos.
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O presente tratado foca exclusivamente nas contradições proféticas que afetam as opiniões e artigos da fé, cuja decifração integra os mistérios da própria Lei.
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As discordâncias entre os filósofos verdadeiros derivam da quinta causa pedagógica, enquanto os erros de autores comuns e das lendas hágadas nascem da sexta e da sétima causa.
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Os filósofos usam a imprecisão temporária para facilitar o ensino.
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Comentadores comuns caem em contradições involuntárias da sexta causa.
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Os Midrachôth e as Haggadôth portam sérias contradições decorrentes da sexta e da sétima causa.
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Os rabinos estipulam como regra que não se devem levantar contradições no seio das Haggadôth.
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As variações e aparentes oposições contidas no corpo deste Guia provêm estritamente da quinta e da sétima causa, devendo o leitor fixar esse dado para evitar o torpor intelectual.
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O desvelamento do sentido exato dos nomes bíblicos funciona como chave de abertura para portais trancados, onde a alma e o corpo encontram repouso e cessação do cansaço.