É bem possível que alguém pergunte por que motivo o homem foi o último a ser criado no mundo. O Criador e
Pai, de fato, como indicam as sagradas escrituras, o criou depois de todas as outras criaturas. Bem, aqueles que mais se aprofundaram na interpretação das leis de Moisés e examinaram com a máxima minúcia o seu conteúdo, dizem que Deus, depois de tornar o homem participante da sua própria natureza, consistente no uso da razão, o que constituía o melhor dos dons, não quis recusar-lhe a participação nos outros; e por ser o mais afim a Ele e o mais amado dos seres animados, colocou à sua disposição antecipadamente todas as coisas do mundo, desejando que, ao chegar à existência, não lhe faltasse nada do que permite viver, e viver bem. Para viver, são-lhe fornecidos os abundantes provimentos de tudo o que contribui para seu benefício; para viver bem, a contemplação das criaturas celestes, comovida pela qual a inteligência concebe um amor e um desejo ardente de conhecê-las. A partir dele floresceu a filosofia, pela qual o homem, embora mortal, é convertido em imortal.