A aritmética, no interior da cultura científica, ocupa lugar de destaque em Filon pela meditação sobre as propriedades dos números, de extração predominantemente pitagórica, que será transmitida aos Padres da Igreja.
Em De Specialibus Legibus II, 56–57, sobre o número sete: “Alguns lhe deram o nome de virgem, tendo diante dos olhos sua castidade singular. Chamam-na também de 'sem mãe', gerada apenas pelo pai do universo, a forma ideal do sexo masculino… Alguns lhe dão o nome de 'estação', julgando sua natureza conceitual por suas manifestações no reino das coisas sensíveis. Pois sete é fator comum a todos os fenômenos que ocupam o lugar mais elevado no mundo sensível e servem para consumar em devida ordem as transições do ano e as estações recorrentes. Tais são os sete planetas, a Ursa Maior, as Plêiades e os ciclos da lua.”
Em De Opificio, 99–100, explica-se por que sete é virgem e sem mãe: “Pois destes [números] alguns geram sem serem gerados, alguns são gerados mas não geram, alguns fazem ambas as coisas… Por isso outros filósofos comparam este número à Nike sem mãe e virgem, que se diz ter aparecido da cabeça de Zeus.”
Em Legum Allegoriae I, 15, lê-se: “Por isso os pitagóricos, entregando-se ao mito, comparam o sete à Donzela sem mãe e sempre virgem, porque nem nasceu do ventre nem jamais dará à luz.”
A prática pitagórica estabelecia correspondência entre números e deuses — sete era consagrado a Atena; Lídio, em De Mensibus II, 11, atribui essa doutrina ao pitagórico Filolau.
Em De Opificio, 100, o sete é dito símbolo do Soberano original que nem causa movimento nem o experimenta.
Em De Opificio, 117, Filon enumera outros exemplos septenários: as sete partes da alma e as sete partes do corpo.
Em Quaestiones in Genesim III, 56, considerações sobre os números oito e dez explicam por que Abraão teve Isaac aos cem anos: “Em primeiro lugar, o cem é uma potência da década. Em segundo lugar, o miriado é [uma potência] desta mesma… Em quinto lugar, compõe-se dos vários números ímpares um, três, cinco, sete, nove, onze, treze, quinze, dezessete, dezenove, perfazendo 100.”
A mônade é o nome de Deus (Legum Allegoriae II, 1); cinco é o nome dos sentidos; dez, o da perfeição.