A teoria do profeta em Filon não deriva do profetismo judaico, mas das ideias gregas e egípcias sobre a adivinhação intuitiva, que se divide em oráculos e sonhos.
-
A classificação dos oráculos e dos sonhos em Filon corresponde à de Posidônio: oráculos/sonhos da face de Deus (ação divina apenas), oráculos/sonhos por demanda e resposta (colaboração de Deus e da alma), e oráculos/sonhos do êxtase (ação da alma sozinha).
-
A inspiração da primeira classe é descrita como uma audição interior, onde o espírito é passivo e Deus fala diretamente à alma, formando um som ou voz no ar.
-
A segunda classe de oráculos corresponde a um diálogo interior composto pelas demandas do homem e as respostas de Deus, um misto de ação humana e divina.
-
A terceira classe, a do êxtase profético, é descrita como um estado de possessão divina no qual a reflexão (logismos) é suprimida, o profeta não reconhece o lugar, as pessoas nem a si mesmo, e a inteligência humana é substituída pelo espírito divino.
-
O estado profético é preparado pela purificação da inteligência, que envolve suprimir as impressões sensíveis, buscar a solidão, o jejum e a abstinência, e enfraquecer os sentidos.