Filon descreve três atitudes possíveis em relação à Lei: considerá-la um simples costume tradicional; desprezar a lei positiva e prestar a Deus um culto puramente espiritual; combinar o respeito pelas leis positivas com a busca de um sentido interior por meio da alegoria.
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O primeiro partido é acusado de ser de falsos legisladores, apegados aos bens exteriores, que preferem conformar suas leis ao costume do que à natureza, tirando o politeísmo da Escritura.
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Historiadores judeus como Artapano e Eupolemo, em fragmentos preservados por Eusébio, tentavam encontrar nas histórias dos patriarcas as lendas da mitologia grega e egípcia, reduzindo-as a relatos históricos à maneira de Evêmero.
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A obra de Filon contém razões para crer que, em sua época, havia um trabalho de sincretismo que identificava cada relato bíblico com mitos gregos, e ele não é totalmente hostil à ideia de que existem verdadeiros mitos na Bíblia.
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Muitas vezes, Filon ataca, sob o nome de interpretação literal, não a explicação literal simples, mas a explicação tendenciosa e mitológica.
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Diante de passagens bíblicas acusadas de mitologia (como o sacrifício de Isaac ou a confusão das línguas), Filon combate primeiro a interpretação mitológica em seu próprio terreno, usando a explicação literal.
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Os partidários da exegese mitológica, e não outros, são os “sofistas do sentido literal” que Filon persegue incessantemente.
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O verdadeiro perigo para Filon não são os judeus piedosos que observam rigorosamente a letra da Lei, mas aqueles que, seguindo os hábitos de sincretismo mitológico dos alexandrinos, rebaixam a Lei judaica a um simples relato mitológico.
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O objetivo de Filon com o emprego do método alegórico é a universalização da lei judaica, fazendo dos judeus alegoristas cidadãos do mundo.