ALEGORIA FILONIANA

Jacques Cazeaux, “Philon d'Alexandrie” (Cerf, 1984)

Uma alegoria (insistimos no “uma”) é uma figura de estilo: penso em uma coisa, mas digo outra para falar melhor da primeira; por exemplo, Aquiles é um leão: é esguio, solitário, espreita, salta, não abandona sua presa, ruge… É uma metáfora prolongada. Podem-se encontrar algumas em Homero, na Bíblia, especialmente nas passagens da Sabedoria. Essa alegoria é procurada propositalmente no texto e sua interpretação fica a cargo do texto: ela entra com maior ou menor sorte na trama. Faz parte do primeiro grau do texto. As parábolas dos evangelhos são uma espécie de alegoria, e sobretudo as explicações das parábolas (Sem insistir, lembremos que a parábola dá um sentido global, enquanto a alegoria pode traduzir-se em cada um dos detalhes de um texto. O “filho pródigo” deve ter sido, em sua origem, uma parábola; o “bom pastor”, uma alegoria.)).