PAULO APÓSTOLO

Cristianismo Primitivo — Paulo Apóstolo

Este deve ser o precursor de nossa caminhada pela Cristologia, nossa busca pelos santos christophoros (o “portadores de Cristo”), pois conforme suas próprias palavras: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gálatas, 2, 19-20)

Praticamente a metade dos livros do Novo Testamento são as CARTAS DE PAULO às comunidades cristãs que fundou. Debate-se muito sobre que cartas seriam efetivamente de autoria de Paulo. De qualquer modo, estas cartas são consideradas os documentos mais antigos da Cristandade, datando por volta dos anos 50 AD. Nas cartas se prega uma “boa nova” em muitos aspectos distinta do Evangelho de Jesus. Nas cartas se fala muito do Cristo, quase nada de Jesus, e não se têm citações de seus ditos.


São Paulo, o apóstolo dos gentios, deu uma contribuição tão decisiva para a expansão da jovem religião que seria de se perguntar se, sem ele, ela teria sobrevivido; mas ele comentou e desenvolveu o patrimônio judaico dessa nova religião com a ajuda de elementos e noções gregas que lembram a filosofia dos gentios e suas religiões de mistérios. Na verdade, ele se dedicou ao mundo greco-oriental que, sem essa “preparação”, teria grande dificuldade em assimilar os ensinamentos de Jesus, que se dirigiam à mentalidade judaica. Essa adaptação deve ter estado na origem dos mal-entendidos e do ódio que surgiram desde o início entre judeus e cristãos. Por outro lado, seria de se perguntar se as surpreendentes semelhanças entre o cristianismo paulino e as religiões dos Mistérios ou iniciações antigas não foram as que provocaram as execrações mútuas que conhecemos. Embora os cristãos tenham sofrido essas ferozes perseguições durante os três primeiros séculos, eles certamente retribuíram (centuplicadamente) aos pagãos, por meio da erradicação… (A tese de René Guénon sobre as origens do cristianismo)


Paulo tem muitos nomes no Novo Testamento, como lembra Willis Barnstone, e suas alternâncias têm significância teológica e política. Os nomes ocorrem em hebraico, grego, latim e qualquer língua contemporânea. “Paulo” é seu nome, por exemplo em português, mas vem do grego Paulos, que ele assumiu depois de ter uma epifania de Jesus. Paulos é um nome tomado emprestado pela língua grega, pois seu nome de nascimento era em português, Saul, em grego Saulos, do hebraico Shaul. Originalmente, Paulo era chamado de “Saul de Tarsos”. Depois de se tornar um messiânico, ou seja, um seguidor do Cristo, ele se chamou e foi chamado “Paulos”, que não só reflete suas origens entre judeus de fala grega e aramaica, de Tarsos na Cilícia (na atual Turquia), mas também sugere uma afinidade com o Império Romano. Ele muda efetivamente seu nome após sua viagem missionária a Chipre, considerando poder alcançar melhor os pagãos gregos com um nome greco-romano. Para Barnstone, estas colocações se extraem de uma leitura dos Atos dos Apóstolos, cujo herói é Paulo. Os Atos sendo o primeiro livro de história cristã, é também o mais longo livro no Novo Testamento. Importante notar que o Paulo idealizado nos Atos, cidadão romano, no trato com oficiais romanos como um respeitado igual, com poderes para curar e até ressuscitar, não se afigura como o Paulo das Cartas, homem de luta de aparência pobre e saúde fraca, que não possui poderes nem distinções de estado. Isto, segundo os principais pesquisadores consultados por Barnstone.


Fernando Pessoa: Rosea Cruz

S. Paulo é a passagem do hermético para o literal. É a passagem evidente e clara. Não falla elle em mistérios?

E a Arte do esconderijo? E a arte de envenenar? Onde estão essas duas artes medievaes, e da renascença italiana? Perdidas. E talvez o senhor não sinta a origem dellas, e a que se deve. Não sabe nem ficará sabendo. Eu sei mas não lh'o digo.