====== IMORTALIDADE ====== René Guénon: IMORTALIDADE «Quanto à concepção individualista da imortalidade da alma, ela é ainda muito mais simples, e o Sr. X... cometeu um erro notável ao acreditar que hesitaríamos em declarar que a rejeitamos completamente, tanto na forma de uma vida futura fora da Terra quanto naquela, sem dúvida muito mais ridícula, da tão famosa teoria da “reencarnação” As questões da “pré-existência” e da “pós-existência” evidentemente não se colocam para quem considera todas as coisas fora do tempo; por outro lado, a “imortalidade” não pode ser mais do que uma extensão indefinida da vida, e nunca será senão rigorosamente igual a zero diante da Eternidade, a única coisa que nos interessa, e que está além da vida, tanto quanto do tempo e de todas as outras condições limitativas da existência individual. Sabemos muito bem que os ocidentais se apegam acima de tudo ao seu “eu”; mas que valor pode ter uma tendência puramente sentimental como essa? Pior para aqueles que preferem consolações ilusórias à Verdade! Frithjof Schuon: Compreender o Islã Uma das provas da nossa imortalidade é que a alma — que é essencialmente inteligência ou consciência — não pode ter um fim que esteja abaixo dela, a saber, a matéria ou os reflexos mentais da matéria; o superior não pode depender simplesmente do inferior, não pode ser apenas um meio em relação àquilo que supera. É, portanto, a inteligência em si — e com ela nossa liberdade — que prova a envergadura divina de nossa natureza e de nosso destino; se dizemos que ela “prova”, é de maneira incondicional e sem querer acrescentar uma precaução retórica em consideração aos meus pares que imaginam deter o monopólio do “concreto”. Seja compreendido ou não, somente o Absoluto está «proporcional» à essência de nossa inteligência; somente o Absoluto (Al-Ahad, «o Um») é perfeitamente inteligível, falando com rigor, de modo que a inteligência não vê sua própria razão suficiente e seu fim senão n’Ele. O intelecto, em sua essência, concebe Deus porque ele próprio “é” increatus et increabilis; e concebe ou conhece, por isso mesmo e a fortiori, o significado das contingências; conhece o sentido do mundo e o sentido do homem. De fato, a inteligência conhece com a ajuda direta ou indireta da Revelação; esta é a objetivação do Intelecto transcendente e “desperta”, em qualquer grau, o conhecimento latente — ou os conhecimentos — que portamos em nós mesmos. A «fé» (no sentido amplo, imân) tem, assim, dois pólos, um «objetivo» e «externo», e outro «subjetivo» e «interno»: a graça e a inteligência. E nada é mais vão do que erguer, em nome da primeira, uma barreira de princípio contra a segunda; a “prova” mais profunda da Revelação — seja qual for o seu nome — é o seu protótipo eterno que carregamos em nós mesmos, em nossa própria essência. (Capítulo 2) ==== DESTAQUES ==== {{topic>imortalidade}}