====== CONHECIMENTO DE DEUS ====== René Guénon: O HOMEM E SEU DEVIR SEGUNDO O VEDANTA Assim, a Libertação só é efetiva na medida em que implica essencialmente o Conhecimento perfeito de Brahma; e, inversamente, esse Conhecimento, para ser perfeito, pressupõe necessariamente a realização do que já chamamos de “Identidade Suprema”. Assim, a Libertação e o Conhecimento total e absoluto não são, na verdade, senão uma única e mesma coisa; se se diz que o Conhecimento é o meio da Libertação, é necessário acrescentar que, aqui, o meio e o fim são inseparáveis, uma vez que o Conhecimento traz em si mesmo o seu fruto, ao contrário do que ocorre com a ação; e, aliás, neste domínio, uma distinção como a de meio e fim já não pode ser mais do que uma mera forma de falar, sem dúvida inevitável quando se quer expressar essas coisas na linguagem humana, na medida em que são expressáveis. Consequentemente, se se considera a Libertação como uma consequência do Conhecimento, é necessário precisar que se trata de uma consequência rigorosamente imediata; é o que Sankara indica muito claramente: “Não há outro meio de obter a Libertação completa e definitiva senão o Conhecimento; somente este desata os laços das paixões (e de todas as demais contingências a que está sujeito o ser individual); sem o Conhecimento, não se pode alcançar a Bem-aventurança (Ananda). Visto que a ação (karma, seja essa palavra entendida em seu sentido geral, seja aplicada especialmente ao cumprimento dos ritos) não se opõe à ignorância (avidya) — alguns gostariam de traduzir —, ela não pode afastá-la; mas o Conhecimento dissipa a ignorância, assim como a luz dissipa as trevas. Uma vez que a ignorância que nasce das afeições terrenas (e de outros laços análogos) é afastada (e com ela toda ilusão desapareceu), o “Eu” (atman), por seu próprio esplendor, brilha ao longe (através de todos os graus de existência) em um estado indivisível (que penetra tudo e ilumina a totalidade do ser), como o sol difunde sua claridade quando a nuvem se dispersa”. François Chenique São três caminhos clássicos do conhecimento de Deus, ditos "natural", "mediato" e "analógico": Deus é a causa das criaturas (via causalitatis); Deus tem todas as qualidades das criaturas, levadas à mais alta perfeição (via eminentiae); Deus não está submetido aos limites das criaturas (via remotionis).