===== FAMA FRATERNITATIS ===== Frances [[theosophos:theosophia-estudos:yates:start|Yates]] — [[theosophos:theosophia-estudos:yates:manifestos-rosa-cruzes:start|Manifestos Rosa-Cruzes]] === FAMA FRATERNITATIS === Embora a mais antiga e conhecida edição impressa do primeiro manifesto rosa-cruz, a Fama, não tenha aparecido senão em 1614, o documento estivera circulando em manuscrito antes dessa data, pois em 1612 foi publicada uma resposta ao mesmo, dada por um certo [[biblia:tipologia:adam:start|Adam]] Haselmayer. Ele afirma ter visto um manuscrito da Fama no Tirol em 1610, e consta ter sido visto também um manuscrito em Praga em 1613. A "resposta" de Haselmayer está reeditada no volume que contém a primeira edição impressa da Fama. Haselmayer inclui-se entre os "Cristãos das Igrejas Evangélicas", aclama com entusiasmo a sabedoria iluminista da Fama, e faz algumas observações violentamente antijesuíticas. Faz alusão à expectativa muito difundida de mudanças radicais após a morte do Imperador Rodolfo II, ocorrida em 1612. Esta "resposta" de Haselmayer, no final do volume que contém a primeira edição impressa da Fama, está relacionada com um prefácio no início do volume, onde se declara que os jesuítas capturaram Haselmayer devido à sua resposta favorável ao apelo da Fama, e fizeram com que ele fosse preso e acorrentado numa galera. Esse prefácio sugere que o manifesto rosa-cruz esteja apresentando uma alternativa para a Ordem Jesuíta, uma irmandade baseada de um modo mais real nos ensinamentos de Jesus. Tanto a resposta de Haselmayer como o prefácio sobre ele são muito obscuros, e — com tanta literatura rosa-cruz — não podemos, assim, ter certeza se tais documentos devam ser levados a sério. Entretanto, a intenção geral está clara, a de associar o primeiro manifesto rosa-cruz com a propaganda anti-jesuítica. Esse ponto também está demonstrado muito claramente na epígrafe do volume que contém a Fama, e que pode ser traduzida da seguinte maneira: Reforma Geral e Universal de todo o vasto mundo; juntamente com a [[theosophos:theosophia-estudos:yates:manifestos-rosa-cruzes:fama-fraternitatis:start|Fama Fraternitatis]] da Louvável Fraternidade da Rosa-Cruz, escrita para todos os Soberanos Eruditos da Europa; também uma curta réplica enviada por Herr Haselmayer, pela qual foi preso pelos jesuítas e acorrentado numa galera. Tornem isto manifesto e comuniquem a todos os corações sinceros. Impresso em Cassel por Wilhelm Wessel, 1614. Essa epígrafe envolve todo o conteúdo do volume, o qual inclui um extrato de um escritor italiano relativo à reforma geral (a ser analisada num capítulo mais adiante), à Fama e à resposta de Haselmayer. Assim, o leitor da primeira edição da Fama a lê num contexto que evidencia a tendência anti-jesuítica do manifesto, que não é tão óbvia, de acordo com a Fama quando analisada em si mesma. A Fama começa com um chamado de atenção emocionante — um toque de trombeta que deveria ecoar por toda a Alemanha, e daí irradiar-se através da Europa. Nesses últimos tempos, [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] nos revelara um conhecimento mais perfeito de seu [[biblia:figuras:pai-mae-filho:filho:start|Filho]], Jesus [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]], e da Natureza. Ele elevara os homens, dotara-os com grande sabedoria, para que restaurassem todas as artes e as tornassem perfeitas, para que o homem "pudesse compreender a sua própria nobreza, por que é chamado microcosmo, e até que ponto o seu conhecimento se estende pela Natureza". Se os eruditos se unissem, poderiam agora coligir do Livro da Natureza um método perfeito de todas as artes. Mas a difusão desta nova luz e da verdade é impedida por aqueles que não abdicarão de seus antigos caminhos, estando atados à [[evangelho-de-jesus:logia-jesus:logia-jesus:autoridade:start|Autoridade]] limitada de Aristóteles e Galeno. Após o início da peroração, o leitor é apresentado ao misterioso Rosencreutz, fundador de "nossa Fraternidade" que por muito tempo trabalhou para essa reforma geral. O Irmão Rosencreutz, um "homem iluminado", fora um grande viajante, principalmente no Oriente, onde os homens sábios estão querendo transmitir seus conhecimentos. O mesmo deveria ser feito hoje na Alemanha, onde não existe escassez de homens eruditos, "mágicos, cabalistas, médicos e filósofos", que deveriam colaborar mutuamente. O viajante aprendeu a "Magia e a Cabala" do Oriente, e soube como empregá-la para intensificar sua própria fé e ingressar na "harmonia do mundo inteiro, maravilhosamente marcada em todas as épocas". O Irmão R. C. seguiu depois para a Espanha, a fim de lá revelar, bem como aos eruditos da Europa, aquilo que aprendera. Demonstrou como "todas as imperfeições da Igreja e toda a [[philokalia:philokalia-termos:philosophia:start|philosophia]] Moralis" deviam ser corrigidas. Ele ordenou uma nova axiomata, pela qual todas as coisas deviam ser restauradas; todavia, foi escarnecido. Seus ouvintes receavam "que seus nomes importantes pudessem ser diminuídos, caso agora começassem a aprender, e reconhecessem seus inúmeros erros de tantos anos". Rosencreutz ficou muito decepcionado, uma vez que se prontificava a partilhar seus conhecimentos com os eruditos "se ao menos tivessem tentado escrever a axiomata, verdadeira e infalível, apartados de todas as faculdades, ciências, artes e de toda a natureza". Caso isto fosse feito, poder-se-ia formar uma sociedade na Europa, que enriqueceria os governantes com os seus conhecimentos e a todos aconselharia. Naqueles dias, o mundo estava prenhe de confusões, e esforçava-se por produzir homens que surgissem dessa nebulosidade. Um desses foi Teofrasto ([[theosophos:paracelso:start|Paracelso]]), que estava "bem assentado na harmonia supramencionada", embora não fosse "de nossa Fraternidade". Enquanto isso, o Irmão R. C. voltara para a Alemanha, ciente das alterações vindouras e das controvérsias perigosas. (Segundo a [[theosophos:theosophia-estudos:yates:manifestos-rosa-cruzes:confessio-fraternitatis:confessio:start|Confessio]], o Irmão R. C. nascera em 1378 e viveu 106 anos; portanto, supõe-se que sua vida e seu trabalho ocorreram nos séculos XIV e XV). Construiu uma casa, onde meditava sobre a sua filosofia, despendendo muito tempo com o estudo da matemática, e fez muitos instrumentos. Pôs-se a desejar a reforma ainda mais fervorosamente e a organizar os ajudantes, começando apenas com três. "Foi desse modo que começou a Fraternidade da Rosa-Cruz; primeiro, só com quatro pessoas, e por meio delas foi formada a linguagem e escrita mágica, com um grande dicionário, por eles ainda hoje usado diariamente para exaltar e glorificar a Deus." O escritor da Fama continua então a relatar a história imaginária dessa Ordem imaginária, e que aqui sumariamos, porquanto o relato completo se acha no Apêndice. A Ordem cresceu em números. Possuíam um prédio como sede, a Casa do [[biblia:figuras:espirito-santo:start|Espírito Santo]]. Sua atividade principal era a assistência aos doentes, mas também viajavam muito a fim de adquirir e difundir conhecimentos. Observavam seis preceitos, o primeiro dos quais era não ter outra profissão salvo aquela de tratar dos enfermos, e "a título gratuito". Não deviam usar qualquer hábito característico, porém vestir-se segundo a moda do país em que se encontravam. Deviam reunir-se uma vez por ano em sua Casa do Espírito Santo. O primeiro da Fraternidade a morrer, faleceu na Inglaterra. Muitos outros Irmãos sucederam aos Irmãos originais, e recentemente a Irmandade, ou Fraternidade, adquiriu um novo sentido, através da descoberta da caverna abobadada, na qual o Irmão Rosencreutz foi enterrado. A porta para essa caverna foi milagrosamente achada, e ela simboliza a abertura de uma porta na Europa, por muitos imensamente desejada. A descrição dessa caverna é uma característica fundamental da lenda sobre Rosencreutz. A luz solar jamais brilhava nela, contudo era iluminada por um sol interno. Em seus muros estavam gravados os nomes dos Irmãos e figuras geométricas; nela havia muitos tesouros, inclusive alguns dos trabalhos de Paracelso, sinetas maravilhosas, lanternas e "cantos artificiais". A Irmandade já possuía a sua "Rota" e "o Livro M.". O túmulo de Rosencreutz situava-se embaixo do altar da caverna. A descoberta da caverna representa o sinal para a reforma geral; é a aurora precedendo o nascer do sol. "Sabemos... que agora haverá uma reforma geral, das coisas divinas e humanas, de acordo com nosso desejo e a expectativa de outros, pois é conveniente que antes do nascer do sol deva irromper a Aurora, ou alguma claridade ou luz divina no céu." A data na qual a caverna foi descoberta está indicada indiretamente como sendo 1604. Esse documento muito singular, a Fama Fraternitatis, parece, portanto, relatar através da alegoria da caverna abobadada, a descoberta de uma nova, ou antes, recente e antiga filosofia, fundamentalmente alquímica e relacionada com a medicina e a cura, mas também interessada em números e geometria, e com a produção de prodígios mecânicos. Ela representa não apenas um adiantamento para a cultura, mas sobretudo uma iluminação de natureza religiosa e espiritual. Essa nova filosofia está prestes a ser revelada ao mundo e provocará uma reforma geral. Os agentes míticos de sua difusão são os Irmãos R. C. Estes constam como sendo cristãos alemães, piedosamente evangélicos. A sua fé religiosa parece intimamente associada com a sua filosofia alquímica, que. nada tem a ver com "a fabricação do ouro ímpia e execrável", pois as riquezas oferecidas pelo [[estudos:ernst-benz:pai:start|Pai]] Rosencreutz são espirituais; "ele não se rejubila por não poder fabricar ouro, mas sente-se satisfeito por ver o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo, e seu nome escrito no Livro da Vida". {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}