===== BOEHME (JBVAS) – DA VIDA ALÉM DOS SENTIDOS (22-28) ===== Jacob [[theosophos:boehme:start|Boehme]] — Da vida além dos sentidos (JBVAS) 22 — Mas é muito doloroso ser desprezado por todo o mundo... — O que agora te parece doloroso será o que mais amarás depois. 23 — Como pode ser que eu venha a amar o que me despreza? — Agora amas a sabedoria terrestre. Mas quando estiveres revestido da Sabedoria celestial, verás que a sabedoria do mundo é loucura, e que o ódio do mundo se dirige apenas ao teu inimigo – esta vida mortal que tu mesmo, em tua vontade, também odeias. Assim, começarás a amar o desprezo desta vida que é causa de morte. 24 — Mas como pode um homem amar-se e ao mesmo tempo odiar-se? — O que amas em ti não amas como tua existência própria, mas como um amor que [[biblia:figuras:divindade:deus:start|Deus]] te dá. Amas o [[misticismo-renano-flamengo:misticos-renano-flamengos:paralelos-renano-flamengos:fundo-divino:start|Fundo Divino]] em ti pelo qual, com teus irmãos, amas a sabedoria e as maravilhas de Deus. Mas o que odeias em ti, odeias segundo tua existência própria, onde o mal se apega a ti. Odeias porque desejas romper completamente o ego próprio, transformando-o num fundamento totalmente [[biblia:figuras:divindade:divino:start|Divino]]. O Amor odeia o ego porque ele é veneno mortal, e os dois não podem coexistir. Pois o Amor possui o céu e habita em si mesmo, mas o ego possui o mundo com sua substância e também habita em si mesmo. Assim como o céu domina o mundo e a eternidade domina o tempo, o Amor domina a vida natural. 25 — Meu querido Mestre, diz-me: por que o Amor e a dor, o amigo e o inimigo devem estar juntos? Não seria melhor haver apenas amor? — Se o Amor não estivesse na dor, não teria nada para amar. Mas porque a existência que ama – a pobre alma – está na dor e no tormento, Ele tem motivo para amar sua própria existência e salvá-la do sofrimento, para então ser amado. Do mesmo modo, não se poderia conhecer o Amor se Ele não tivesse algo para amar. 26 — O que é o Amor em sua força e virtude, em sua altura e grandeza? — Sua virtude é o nada, e sua força penetra todas as coisas. Sua altura é tão alta quanto Deus, e sua grandeza é maior que Deus. Quem O encontra não encontra nada, e encontra todas as coisas. 27 — Ó querido Mestre, explica-me como entender isso. — Disse que sua virtude é o nada. Compreendes isso quando sais de toda criatura e te tornas um nada diante de toda natureza. Então estás no Uno eterno, que é o próprio Deus. Então experimentas a mais alta virtude do Amor. Mas também disse: Sua força penetra todas as coisas. Isso experimentas em tua alma e corpo: quando o grande Amor se acende, arde como nenhum fogo. Vês isso também em todas as obras de Deus – como o Amor se difundiu em tudo, sendo seu fundamento mais íntimo e mais exterior. Interiormente na força, exteriormente na forma. E disse ainda: Sua altura é como Deus. Compreendes isso em ti mesmo, pois Ele te eleva acima do próprio Deus, como se vê em [[biblia:figuras:nt-personagens:cristo:start|Cristo]], a quem o Amor conduziu ao mais alto trono da [[biblia:figuras:divindade:start|Divindade]]. Mas também disse: Sua grandeza é maior que Deus. E isso é verdade. Pois mesmo onde Deus não habita, o Amor penetra. Quando Cristo esteve no inferno, o inferno não era Deus, mas o Amor ali estava e quebrou a morte. Quando tens medo, Deus não é o medo, mas Seu Amor está ali e te conduz a Ele. Quando Deus em ti está oculto, Seu Amor O revela. E por fim disse: Quem O encontra não encontra nada, e encontra tudo. Pois encontra um abismo além da natureza, além dos sentidos, onde não há lugar para morada, e nada lhe é semelhante. Ele é incomparável, mais profundo que qualquer coisa. Por isso, é como um nada para tudo, pois é incompreensível. E sendo nada, é livre de tudo e é o único bem, que não se pode definir. E quem O encontra, encontra tudo. Ele foi o princípio de todas as coisas e as domina. Se O encontrares, alcançarás a fonte de onde tudo veio e onde permanece, e serás n'Ele um rei sobre todas as obras de Deus. 28 — Querido Mestre, diz-me: onde está, no homem, Sua morada? — Onde o homem não mora, ali Ele habita no homem. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}